Gustavo Mioto questiona rankings e aposta em inovação com projeto internacional
O cantor sertanejo Gustavo Mioto voltou a expressar sua opinião sobre a atual cena musical brasileira. Em conversa com o g1, ele criticou a chamada “mesmice” que, segundo ele, domina o gênero sertanejo. Mioto também comentou sobre a ascensão do funk nos rankings de música, minimizando a importância dos números e focando no engajamento do público.
Há cerca de um ano e meio, Gustavo Mioto já havia sinalizado sua preocupação com a falta de evolução na qualidade da música sertaneja. Agora, diante da perda de espaço do gênero nas paradas de sucesso, especialmente para o funk, o artista reforça suas críticas, comparando a situação atual com a de décadas passadas.
“Eu acho que domínio de ranking é domínio de números. E a gente tem várias possibilidades de como esse domínio pode ser conquistado”, afirmou Mioto ao g1. Ele ressaltou que seu foco principal não são as métricas digitais, mas sim a conexão com o público.
Foco no palco e crítica à estagnação do sertanejo
Para Gustavo Mioto, o que realmente importa é a quantidade de pessoas presentes nos shows e o quão engajadas elas estão com a música. “Para mim, o que me interessa é o quanto de gente tem na frente do palco e o quanto eles estão cantando a música inteira, e não só aquele pedaço dos 15 segundos”, declarou.
O cantor admitiu que não confia plenamente nos números dos rankings, considerando-os subjetivos. Contudo, ele acredita que a “mesmice” no sertanejo pode ser um fator contribuinte para essa mudança no cenário musical. “Você ouve 10 projetos sertanejos atuais, e ouve a mesma coisa nos 10”, lamentou.
Mioto foi enfático ao dizer que sua opinião sobre a estagnação do gênero não mudou. “Eu continuo com a mesma opinião. A gente vive uma mesmice, vive ainda andando de ré dentro do sertanejo. Em 1992, 1995, o Zezé era mais moderno do que a gente é hoje”, comparou.
Ele expressou preocupação com o futuro do gênero mais popular do Brasil. “Temos talvez o gênero mais ouvido e popular do Brasil, e estamos deixando isso ser carne de vaca”, alertou o artista.
Projeto internacional e “Drunk Side” como tema de Barretos
Em busca de trazer novidades e romper com a monotonia, Gustavo Mioto está investindo em sua carreira internacional. Em abril, ele lançou a música “Last Goodbye” e, nesta quarta-feira (8), apresenta “Drunk Side”, que foi escolhida como a música tema da Festa do Peão de Barretos de 2026.
Mioto explicou que a aposta na música country não é uma fuga do sertanejo, mas sim uma forma de explorar novas sonoridades e mostrar seu potencial criativo. “Eu fico ansioso para ver o que novas pessoas fazem. E quando vejo novas pessoas chegando, geralmente são as mesmas coisas. Acho que existem maneiras de fazer e estou muito ansioso para alguém chegar e fazer diferente”, pontuou.
O álbum completo, com previsão de lançamento para 2026, já tem recebido feedbacks positivos. “A gente teve várias críticas americanas positivas. Descobri que um dos críticos do country mais respeitados por lá [Robert K. Oermann, da MusicRow Magazine] elogiou a ‘Last Goodbye’. Falou que vê sinceridade, autenticidade. Então, só por ter recebido esse primeiro feedback, já é um grande sucesso”, celebrou.
O cantor relembrou que, em seu início de carreira no Brasil, não teve o mesmo retorno positivo com sua primeira música. “Quando eu comecei, nem no Brasil eu tive o feedback positivo na minha primeira música”, comparou.
Inspiração para “Drunk Side” e a importância de Barretos
A inspiração para “Drunk Side” surgiu durante a estadia de Mioto em Nashville, cidade conhecida como o berço da música country. A faixa nasceu de conversas com o compositor Paul Bailey sobre as experiências na cidade americana e a ideia de explorar o “lado bêbado” de uma pessoa.
A música, embora não tenha sido criada inicialmente com o propósito de ser o tema de Barretos, foi prontamente aceita pela organização do evento. Gustavo Mioto gravou o clipe da canção na própria arena do Parque do Peão, reforçando a conexão com o universo do rodeio.
Mioto destacou que, apesar das mudanças nos gêneros musicais presentes na programação de Barretos, a importância do evento para a carreira dos artistas permanece a mesma. Ele citou o recorde de participações de samba e pagode no line-up deste ano, com nomes como Belo, Alexandre Pires e Pixote.
“A essência de Barretos continua a mesma, continua sendo o maior rodeio da América Latina, um dos maiores do mundo”, afirmou. Ele também defendeu a diversidade de atrações, argumentando que a inclusão de diferentes gêneros fortalece o festival. “Um reclamar do outro de estar no evento só enfraquece os festivais. Se você não quiser um festival, você tem que entender as limitações que isso pode trazer. Barretos já passou disso. Barretos é mundo e tem total liberdade de fazer isso. Não perde nada, só tem a somar”, concluiu.
Abertura para outros gêneros em festivais sertanejos
Gustavo Mioto se mostrou favorável à inclusão de artistas de outros gêneros em festivais sertanejos, assim como ele gostaria de se apresentar em eventos de diferentes estilos musicais. “Já falei sobre isso e tomei uma paulada na internet. Mas acho que, do mesmo jeito que alguns artistas de outros gêneros amam tocar nos rodeios ou eventos sertanejos, a gente também gostaria de tocar no inverso”, disse.
O cantor afirmou não ter preconceitos e que acharia a mistura muito interessante. “Eu, pelo menos, não tenho problema nem preconceito nenhum com isso. Achara super massa essa mistura. Mas a gente deixa com os realizadores pensarem”, finalizou.




