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Imigrantes Venezuelanos no Chile: “Viramos bode expiatório para justificar problemas do país”, diz venezuelana

Imigrante venezuelana relata medo e hostilidade no Chile: “Somos tratados como praga indesejada”

Um clima de crescente hostilidade e perseguição tem afetado a comunidade venezuelana no Chile. Imigrantes relatam sentir-se como bodes expiatórios, tendo os problemas sociais e econômicos do país atribuídos à sua presença, especialmente após a eleição de José Antonio Kast, cujo discurso de campanha focou na imigração irregular.

Andrea, 34 anos, que preferiu não ter seu nome divulgado por estar em situação migratória irregular, vive no Chile há quatro anos. Ela descreve um cenário onde a xenofobia se intensificou, culminando em um ambiente de medo constante para os estrangeiros. A situação se agravou com as políticas do novo governo, que incluem a construção de muros na fronteira e promessas de expulsão de indocumentados.

A jornada de Andrea até o Chile começou na Venezuela em 2018, fugindo de perseguições políticas e da escassez econômica. Após uma passagem pelo Peru, ela chegou a Santiago, onde inicialmente a recepção era mais acolhedora. Contudo, a realidade mudou drasticamente, e hoje, como mãe solo, ela vive sob o temor de ser separada de sua filha de três anos. A reportagem é baseada em informações divulgadas pela Folha de S.Paulo.

A dura travessia e a busca por dignidade

A travessia da fronteira entre Peru e Chile em 2022 foi uma experiência marcada por intensos desafios físicos e emocionais para Andrea. Ela descreve a viagem, realizada através de agências que surgiram com o fenômeno migratório, como repleta de riscos imprevistos e de difícil compreensão até se estar no meio do processo.

A caminhada noturna em um frio rigoroso e terreno acidentado foi angustiante. “Vi gente desmaiar, passar mal, perder todos os seus pertences, além da angústia e do terror”, relata Andrea, que temeu ser detida a cada passo. A experiência, que durou duas horas e meia para ela, foi ainda mais longa e perigosa para outros, com histórias de pessoas que se perderam no deserto.

Desde o terceiro dia em Santiago, Andrea tem trabalhado em empregos informais para sobreviver e tentar regularizar sua situação. No entanto, a falta de documentos a deixa exposta à instabilidade e sem garantias trabalhistas. Ela lamenta ter que aceitar qualquer trabalho, sem poder adoecer por medo de ser demitida no dia seguinte.

Discriminação e incerteza no dia a dia

A falta de documentação impede que Andrea tenha acesso a direitos básicos, como uma vaga em creche pública para sua filha chilena, sendo forçada a arcar com custos privados. “Para o sistema, você não existe”, desabafa, ressaltando a dificuldade em encontrar trabalho valorizado e a constante apreensão com a possibilidade de fiscalizações.

O discurso político atual tem dificultado a vida dos imigrantes, que se sentem cada vez mais indesejados. Comentários hostis na rua e a constante exposição negativa na mídia criam um ambiente de tensão. “É como se o venezuelano tivesse sido declarado uma praga indesejada”, afirma Andrea, refletindo a percepção de que todos os problemas do país são atribuídos aos imigrantes irregulares.

O futuro incerto e os impactos psicológicos

A situação migratória no Chile se tornou mais complexa nos últimos anos, e Andrea não recomenda a vinda de novos imigrantes. Ela descreve o presente como um “inferno” e o futuro incerto, onde a resistência é a única opção diante de processos políticos e administrativos fora de seu controle.

Os impactos psicológicos são profundos, com ataques de pânico, ansiedade e mudanças bruscas de humor. A incerteza diária sobre o que acontecerá é desgastante. “Chega um momento em que não aguento e choro”, confessa, evidenciando o peso da discriminação, xenofobia e ódio que permeiam o discurso político atual.

A dificuldade em obter documentação, a falta de embaixadas e o alto custo de passaportes criam um ciclo vicioso, onde endurecer as políticas migratórias acaba por fortalecer as máfias que exploram as fronteiras. A situação, segundo Andrea, não parece ter uma solução a curto prazo, com o imigrante se tornando um alvo fácil para justificar as mazelas sociais do Chile.

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