Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

INCA Alerta: Cigarros com Sabor e Vapes Viram Armadilha da Nicotina para Jovens Brasileiros

INCA Expõe Estratégias da Indústria da Nicotina para Atrair Jovens com Sabores e Aromas em Cigarros e Vapes

O Brasil enfrenta um novo desafio no combate ao tabagismo, que vai além do cigarro tradicional. A luta agora é contra a expansão da “indústria da nicotina”, que utiliza produtos com sabores, aromas e tecnologias avançadas para atrair adolescentes e jovens. Essa preocupação foi destacada pelo diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, em evento alusivo ao Dia Mundial sem Tabaco.

Roberto Gil ressaltou a necessidade de combater a desinformação, lembrando que um produto que mata metade de seus usuários não deveria existir. A campanha deste ano, com o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, foca nas táticas usadas pela indústria para capturar novos consumidores, especialmente os mais jovens.

A Secretaria-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, Vera Luiza da Costa e Silva, alertou para a transição global de cigarros para produtos com nicotina sintética, sais de nicotina e dispositivos eletrônicos, que aumentam a atratividade para futuras gerações se tornarem dependentes. Conforme dados da Opas, milhões de adolescentes nas Américas já consomem tabaco e cigarros eletrônicos, com projeções de gastos bilionários para o Brasil com doenças relacionadas ao fumo.

Cigarros Aromatizados e Dispositivos Eletrônicos: A Nova Fronteira da Dependência

O Ministério da Saúde tem emitido alertas sobre o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), como vapes e pods. Esses produtos adicionam sabores doces, refrescantes, cheiros e cores, tornando a iniciação ao tabaco mais “atrativa e palatável”, especialmente para o público jovem. A facilidade de acesso e a percepção de menor risco contribuem para a disseminação desses itens entre adolescentes e adultos jovens.

A coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, enfatizou que “não há dispositivo eletrônico para fumar seguro”. Ela destacou que essa fase da vida, marcada pela construção de identidade e pertencimento social, torna os jovens mais vulneráveis à experimentação e à influência das redes sociais, onde esses produtos são frequentemente promovidos.

Regulamentação e Desafios Legais Contra Aditivos Aromatizantes

Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu aditivos que conferem sabor, aroma, cores ou aumentam a palatabilidade em produtos de tabaco, através da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 14/2012. O objetivo é reduzir o apelo desses produtos. No entanto, a indústria fumageira contesta a legalidade dessa norma em instâncias judiciais, argumentando que a proibição inviabilizaria a produção nacional.

Um estudo recente publicado pela revista científica Tobacco Control, lançado pelo INCA, refuta esse argumento. Pesquisadores analisaram dados da própria Anvisa e constataram que cerca de metade das marcas de cigarros manufaturados registradas no Brasil em 2025 não utilizava os aditivos vetados. “O que a gente tá mostrando é que há viabilidade logística, e há viabilidade de produção, o que não há é interesse mercadológico das indústrias de tabaco de colocar um produto que não tem esses aromas e sabores que favorecem a iniciação”, defendeu o pesquisador André Zsklo.

INCA Pede Decisão do STF para Consolidar Proibição de Aditivos

O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, reforça a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir a produção desses aditivos para consolidar a validade nacional da norma e impedir novas contestações judiciais. Ele alerta que “o tabagismo se torna cada vez mais uma doença pediátrica, que atinge pessoas numa faixa de menos de 20 anos”.

A atenção deve ser redobrada, e todos os profissionais de saúde, especialmente pediatras, precisam estar vigilantes para prevenir a iniciação ao fumo desde cedo. O tabaco é um fator de risco para diversas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas.

Prevenção da Iniciação: Prioridade Nacional no Controle do Tabagismo

Prevenir a iniciação ao uso de produtos de nicotina é uma prioridade na estratégia brasileira de controle do tabagismo. O Ministério da Saúde, por meio do INCA, coordena o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), articulando políticas de prevenção, promoção da cessação e proteção da população contra a exposição à fumaça do tabaco.

A conscientização sobre os riscos associados aos cigarros com sabor, aromas e aos dispositivos eletrônicos é fundamental para proteger as novas gerações. O Brasil busca, com essas ações, consolidar um futuro com menos dependentes da nicotina e mais saúde para todos.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos