Israel deporta ativistas brasileiro e palestino detidos em flotilha para Gaza
Após semanas de detenção, o governo de Israel confirmou neste domingo (10) a deportação dos ativistas brasileiro Thiago Ávila e palestino-espanhol Saif Abu Keshek. Ambos faziam parte de uma flotilha que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e foram capturados por forças israelenses no final de abril.
A decisão de expulsar os ativistas foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, que classificou a ação como uma “flotilha de provocação”. Segundo o governo israelense, a investigação sobre o caso foi concluída e não haverá tolerância para violações do bloqueio imposto ao território palestino.
A equipe de Thiago Ávila informou que os dois ativistas chegaram a Atenas, na Grécia, e que o brasileiro seguiria para o Cairo, no Egito, antes de retornar ao Brasil. A detenção gerou críticas de grupos de direitos humanos e autoridades internacionais, que consideraram a ação ilegal e realizada em águas internacionais. A ONU havia exigido a libertação imediata dos detidos.
Flotilha interceptada em águas internacionais
A flotilha, denominada “Global Sumud”, tinha como objetivo entregar suprimentos essenciais à população de Gaza, que enfrenta uma grave crise humanitária, especialmente desde o início da guerra em outubro de 2023. De acordo com os organizadores, o grupo foi interceptado em águas internacionais, perto da ilha grega de Creta.
Ao todo, 175 pessoas de diversas nacionalidades foram detidas pelas autoridades israelenses. A ação de interceptação e detenção foi criticada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a classificou como “injustificável” e “preocupante”.
Acusações de maus-tratos e negação de Israel
A ONG israelense Adalah, que representou os ativistas, denunciou que Ávila e Abu Keshek sofreram maus-tratos e abusos psicológicos durante a detenção. Relatos indicam interrogatórios prolongados, iluminação intensa nas celas 24 horas por dia, isolamento total e transporte com os olhos vendados, mesmo durante atendimentos médicos.
Em contrapartida, as autoridades israelenses negam veementemente as acusações. Oren Marmorstein, porta-voz da chancelaria israelense, afirmou à agência AFP que “em nenhum momento Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram submetidos a torturas”, classificando as denúncias como “falsas e infundadas”.
Ligações com organização sancionada e outros brasileiros detidos
O Ministério das Relações Exteriores de Israel alegou que os dois ativistas possuem ligações com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), uma organização sancionada pelos Estados Unidos por supostamente atuar em nome do grupo terrorista Hamas. Esta alegação busca justificar a ação de Israel contra a flotilha.
Vale lembrar que outros brasileiros também foram detidos na mesma operação, incluindo Amanda Coelho Marzall, Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogéiro. A maioria dos ativistas foi liberada na Grécia no início de maio, mas Ávila e Abu Keshek permaneceram detidos até a recente deportação.
Bloqueio a Gaza e histórico da flotilha
Israel mantém um rigoroso bloqueio sobre a Faixa de Gaza, controlando o acesso ao território palestino. A flotilha “Global Sumud” já havia enfrentado uma interceptação por forças israelenses em sua viagem anterior, no ano passado. A situação humanitária em Gaza se agravou significativamente com a guerra, levando a interrupções na entrada de ajuda humanitária.





