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Jovens Quilombolas Fortalecem Voto: A Luta por Direitos e Territórios na Urna em 2026

Jovens Eleitores Quilombolas: A Voz da Luta e da Consciência Política Ganha Força nas Urnas

O cenário político brasileiro presencia um fortalecimento notável da participação dos eleitores quilombolas, com destaque para o engajamento crescente da juventude. Este movimento reflete uma busca ativa por representatividade e a defesa de ideais que impactam diretamente a vida e os territórios dessas comunidades tradicionais.

Avanços na conscientização e no letramento político têm impulsionado a compreensão sobre a importância do voto como ferramenta de transformação. Jovens como Thauany Silva, de 16 anos, em sua primeira experiência eleitoral, e universitários como Franciele Silva, de 27 anos, demonstram um profundo senso de responsabilidade cívica.

Essa mobilização se traduz em números: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou um aumento expressivo no número de eleitores que se identificam como quilombolas, praticamente dobrando entre 2024 e 2026. Conforme divulgado pelo TSE, o eleitorado quilombola saltou de 95.409 para 188.371 pessoas em 2026, evidenciando uma participação cada vez mais ativa e consciente. Em Goiás, o número subiu de 3.625 para 5.394 eleitores quilombolas.

A Importância do Voto na Defesa de Direitos e Territórios

Para Mayara Silva, mãe de Thauany, o acompanhamento das decisões políticas é fundamental, pois elas interferem diretamente no cotidiano de sua comunidade. “Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”, afirma, ressaltando a necessidade de educar os filhos sobre esse tema.

Thauany compartilha desse sentimento, ao dizer que “quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”. Essa percepção se estende a outras comunidades, como em Rio dos Macacos, na Bahia, onde Franciele Silva, estudante de direito, enfatiza que “até o ar que a gente respira tem a ver com política”.

Franciele, que possui título de eleitor desde os 18 anos, explica que sua mãe sempre a incentivou a lutar pelos seus direitos e os de sua comunidade. Ao estudar direito na UFBA, ela passou a levar mais informações para sua comunidade sobre a defesa de seus territórios, reforçando que “votar é fundamental”.

Crescimento do Eleitorado Quilombola: Conscientização e Visibilidade Ampliadas

A professora Bia Nunes, pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), avalia que o crescimento do eleitorado nas comunidades tradicionais está ligado à ampliação da visibilidade e da conscientização política. “Nós temos levado as nossas pautas a diferentes espaços e encontramos parcerias”, explica.

O engajamento, segundo Bia Nunes, ocorre a partir do letramento sobre o papel dos quilombolas como guardiões da natureza e da floresta, e a importância de seus territórios para a biodiversidade. “As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”, complementa.

A população quilombola tem compreendido a necessidade de exigir dos governantes compromisso com a proteção das pessoas e o avanço na titulação de territórios. O engajamento dos jovens é visto como um caminho essencial para alcançar esses objetivos.

Desafios e Fortalecimento Político nas Comunidades Quilombolas

Apesar do avanço, Bia Nunes aponta a necessidade de mais campanhas estatais para estimular eleitores e candidatos quilombolas, diante de um contexto de vulnerabilidade, pressões e ameaças de violência. Ela mesma relatou ter sofrido uma ameaça em 2020 quando era candidata.

Rafael Costa, educador de alfabetização financeira, da comunidade Mesquita (GO), observa um crescimento no interesse por temas relacionados à participação e representatividade política. “Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”, contextualiza.

Ele destaca que as comunidades, com forte espírito de cooperação, precisam estar atentas a golpes financeiros e desinformação. “A partir do momento que se conscientizam sobre seu modo de vida e de produção, começam também a desenvolver maior consciência política”, argumenta. O engajamento dos jovens adultos na defesa contra a desinformação fortalece a comunidade politicamente.

Nordeste Lidera o Eleitorado Quilombola no País

O Nordeste concentra a maior parte dos eleitores quilombolas no Brasil. Em 2024, a região contava com 51.633 eleitores, número que saltou para 95.901 em 2026, segundo dados do TSE. Essa região detém mais da metade do eleitorado quilombola nacional, demonstrando a força e a organização política dessas comunidades na área.

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