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Justiça Colombiana Proíbe Candidato de Usar Camisa da Seleção em Campanha Eleitoral; Entenda o Caso e a Polêmica

Justiça da Colômbia veta uso da camisa da seleção em campanha eleitoral de candidato ultradireitista

A justiça da Colômbia tomou uma decisão inédita ao proibir o candidato presidencial ultradireitista Abelardo de la Espriella de utilizar a camisa da seleção colombiana em suas atividades de campanha. A medida, que entrou em vigor imediatamente, atende a uma solicitação de um cidadão que se sentiu discriminado pelo uso do uniforme em atos políticos.

A juíza Aura Luz Forero determinou que Espriella não pode mais exibir a vestimenta, suas cores ou emblemas em qualquer espaço de divulgação de sua mensagem política, incluindo redes sociais e meios de comunicação. A proibição visa garantir a neutralidade dos símbolos nacionais e evitar que sejam associados a uma candidatura específica.

A decisão judicial surge em meio a um debate acirrado sobre a apropriação de símbolos nacionais para fins eleitorais, uma estratégia que tem sido observada em outros países da América Latina, como o Brasil. O caso colombiano levanta questões importantes sobre os limites da propaganda política e a preservação da identidade nacional.

Proibição atende a pedido contra discriminação e estigmatização

A solicitação que levou à decisão judicial foi feita pelo cidadão Wilman Ramiro Bocanegra Calderón. Ele argumentou que o uso da camisa da seleção pela campanha de Espriella criava uma associação indevida e poderia ser utilizada para estigmatizar ou atacar eleitores com ideais de esquerda ou diferentes opiniões políticas.

A juíza concordou com o argumento, concluindo que a utilização do uniforme por Espriella “cria uma identificação da seleção com uma candidatura específica e compromete a neutralidade dos símbolos nacionais”. A magistrada ressaltou que a camisa da seleção é um símbolo que pertence a todos os colombianos e não deve ser apropriada por nenhum grupo político.

Estratégia de campanha e comparação com o Brasil

Abelardo de la Espriella, que obteve uma expressiva votação no primeiro turno presidencial e disputará o segundo turno em 21 de junho, adotou a camisa da seleção como parte de sua estratégia de campanha. Ele incentivou seus apoiadores a irem às urnas vestindo o uniforme tricolor, em uma tática que lembra o uso da camisa da seleção brasileira pela direita a partir de 2013.

Assim como ocorreu no Brasil, a esquerda colombiana contestou essa apropriação. Iván Cepeda, adversário de Espriella no segundo turno, questionou nas redes sociais o uso eleitoral da camisa, afirmando que ela pertence a todos os colombianos e está sujeita a restrições comerciais e políticas. A Federação Colombiana de Futebol já havia recomendado que as campanhas se abstivessem de usar símbolos nacionais.

Reações e contra-iniciativas da campanha adversária

Em resposta à estratégia de Espriella, apoiadores de Iván Cepeda criaram figurinhas do álbum com o rosto do senador e o portal de futebol Golpe de Estádio anunciou uma iniciativa para estampar camisas com ícones da esquerda colombiana, como o líder indígena Manuel Quintín Lame e a cantora Totó la Momposina. A ideia é reforçar que a camisa da seleção não pertence a nenhum partido político.

Diferentemente do caso colombiano, no Brasil, tentativas de proibir o uso da camisa da seleção em contextos eleitorais não foram bem-sucedidas. Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não acatou um pedido para proibir mesários de usarem o uniforme, sob o argumento de que ele havia se tornado um símbolo partidário.

Controvérsias e declarações polêmicas de Espriella

Este não é o primeiro incidente envolvendo Abelardo de la Espriella e a justiça. Recentemente, ele foi obrigado a se desculpar por declarações consideradas desrespeitosas a uma jornalista durante uma entrevista. A juíza Xinia Navarro determinou que Espriella se desculpasse por insinuar que a jornalista explicaria por que uma foto lhe garantiu “uns votos bem bacanas do eleitorado feminino”, em referência a um órgão genital.

A juíza concluiu que a fala “projeta a ideia de que as mulheres tomariam decisões políticas motivadas pela atração física por um candidato, não com base em considerações racionais, programáticas ou ideológicas típicas de uma cidadania autônoma”. Espriella cumpriu a ordem judicial, mas suas ações e declarações continuam gerando polêmica e debate público na Colômbia.

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