CEO da L’Oréal Brasil antecipa revolução no consumo impulsionada por “canetas emagrecedoras” e reforça foco estratégico.
Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal Brasil, compartilhou em entrevista exclusiva ao InfoMoney como a empresa identifica tendências e orienta o desenvolvimento de produtos. A chave, segundo ele, está em ter uma **”antena na cabeça”** para os comportamentos do consumidor, indo além das pesquisas formais.
É fundamental que a equipe esteja atenta ao que acontece nas ruas, redes sociais, pontos de venda e até mesmo em indústrias correlatas como moda, alimentação e saúde. Essa visão holística permite antecipar mudanças significativas no mercado.
Zimet destaca o impacto potencial das chamadas **”canetas emagrecedoras”**, que podem alterar drasticamente hábitos de consumo e, consequentemente, indústrias inteiras. A L’Oréal Brasil está atenta a esses sinais para se preparar para o futuro, conforme apurado pelo InfoMoney.
O Impacto das “Canetas Emagrecedoras” na Indústria da Beleza
O CEO da L’Oréal Brasil, Marcelo Zimet, acredita que o mercado ainda subestima o poder transformador das **”canetas emagrecedoras”**. Ele prevê que, com a queda de patentes e maior acessibilidade no Brasil, a população em geral poderá alcançar um peso saudável, o que impactará diretamente a indústria da moda, alimentos e beleza.
Zimet vislumbra um futuro onde a necessidade de produtos que auxiliem no processo de emagrecimento e na manutenção da saúde se tornará ainda mais proeminente. A L’Oréal busca se antecipar a essa demanda, adaptando seu portfólio e estratégias.
A identificação dessas tendências, segundo o executivo, muitas vezes começa com observações pontuais, como o aumento de vendas em farmácias. A partir daí, investigações mais profundas com varejistas e outros elos da cadeia produtiva confirmam o fenômeno.
Estratégia L’Oréal Brasil: Foco, Simplificação e Escala
Para os próximos anos, a L’Oréal Brasil concentrará seus esforços em iniciativas com **potencial de grande escala**, buscando simplificar seu portfólio e reduzir a dispersão de projetos. O objetivo é priorizar lançamentos que possam ganhar relevância nacional, aproveitando o **”benefício da escala”** do mercado brasileiro.
A empresa adota uma disciplina financeira rigorosa, evitando trazer novas marcas às custas de desinvestir em marcas já consolidadas e em crescimento. A cultura da L’Oréal é de que cada marca deve se auto sustentar, garantindo a solidez do portfólio.
O foco estratégico para os próximos anos inclui crescimento orgânico, intensificação na busca por tendências, consolidação de projetos com impacto social e uma seleção mais criteriosa das categorias e segmentos em que a L’Oréal Brasil atuará.
Brasil como Mercado Estratégico e Fonte de Inspiração Global
A operação brasileira é de suma importância para o conglomerado L’Oréal, não apenas em termos de receita, mas também como **”fonte de inspiração”** para pesquisa e desenvolvimento de produtos em outras geografias. O Brasil é um dos maiores mercados de beleza do mundo.
Diferente de outros países onde pele e maquiagem lideram, no Brasil, o foco está em **cabelo e fragrâncias**. Essa particularidade torna o país um campo de teste valioso para novas soluções e narrativas, especialmente no que diz respeito à importância do cabelo como forma de expressão estética.
Um exemplo disso é o projeto de hidratantes faciais da Garnier, inicialmente pensado para o Brasil, que se tornou um dos maiores lançamentos globais da marca após o sucesso local e a observação de outros mercados.
Competição e Ambiente Regulatório no Brasil
Zimet reconhece a força de players locais como Natura e Grupo Boticário, afirmando que a L’Oréal tem encurtado distâncias. Ele destaca que a **reforma tributária** tende a equilibrar o ambiente regulatório e tributário, promovendo um **”fair play”** no mercado.
A reforma tributária, segundo ele, eliminará disparidades de tratamento dependendo da localização de fábricas ou centros de distribuição, ou da classificação de categorias de produtos. Isso gerará um cenário mais justo para todas as empresas.
Em relação às marcas independentes, muitas vezes ligadas a influenciadores, Zimet aponta que, apesar de trazerem inovações em linguagem e formato, elas enfrentam limitações em pesquisa e desenvolvimento, um fator crucial para a sustentabilidade a longo prazo em um mercado competitivo.




