María Corina Machado frustra tentativas de retorno à Venezuela em meio a reunião de Delcy Rodríguez com Donald Trump
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, enfrentou mais uma vez o impedimento de retornar à Venezuela. Segundo sua equipe, foram registradas três novas tentativas frustradas nesta terça-feira (22), elevando para sete o total de fracassos desde que deixou o país.
Esses novos obstáculos ocorrem em um momento crucial, com a vice-presidente Delcy Rodríguez se reunindo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU. O encontro marca a primeira vez que Trump se reúne pessoalmente com Rodríguez desde a captura do ditador Nicolás Maduro.
A situação tem gerado críticas de que o governo Trump estaria priorizando acordos de petróleo e investimentos com o regime de Rodríguez em detrimento das exigências por eleições livres, defendidas pela oposição liderada por Machado. A própria líder opositora já contestou publicamente o acordo petrolífero entre Washington e Caracas.
Sete tentativas de retorno impedidas
Pedro Urruchurtu, assessor de María Corina Machado, utilizou as redes sociais para detalhar as recentes tentativas frustradas de retorno. As duas mais recentes, uma por mar e outra por ar, somam-se a outras cinco tentativas anteriores, conforme reconstrução do jornal espanhol ABC.
As tentativas de volta à Venezuela têm sido barradas de diversas formas. Em junho, um avião privado que levava Machado para Curaçao foi instruído a retornar aos EUA ainda em voo, após comunicação americana ao piloto. Dias depois, uma companhia aérea comercial recebeu advertência de Caracas sobre possíveis sanções caso a transportasse.
Planos por rotas terrestres e marítimas também foram considerados, mas não executados. Uma das tentativas mais elaboradas, em 21 de setembro, envolvia uma embarcação partindo do Panamá, mas foi cancelada horas antes por problemas mecânicos. As três últimas tentativas ocorreram no Panamá em menos de 24 horas, com voos para Aruba, Curaçao e Bonaire sendo impedidos de pousar.
Passaporte diplomático e pedidos americanos
Segundo o jornal ABC, a líder venezuelana tem utilizado um passaporte diplomático panamenho, emitido por razões humanitárias. A situação se complica com relatos de que autoridades americanas teriam pedido reservadamente que Machado adiasse seu retorno ao país, após terremotos que atingiram a Venezuela em julho.
María Corina Machado está exilada desde o final do ano passado, após um período escondida após as eleições de 2024, que reconduziram Nicolás Maduro ao poder e foram marcadas por acusações de fraude. Apesar de suas promessas de retornar após a captura de Maduro, seu regresso ao país segue incerto.





