Milei propõe reforma eleitoral com fim das primárias e Ficha Limpa na Argentina
Menos de duas semanas após sancionar a Lei das Geleiras, o presidente argentino Javier Milei voltou suas atenções para a política interna. Em um anúncio feito através da rede social X, em letras garrafais, Milei declarou que enviará uma reforma eleitoral ao Congresso.
A proposta, segundo o ultraliberal, visa eliminar as Paso (Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), que ele criticou como um custo para os cidadãos em benefício da “elite política”. Além disso, a reforma pretende alterar o financiamento de campanhas e instituir uma regra semelhante à “Ficha Limpa” brasileira, impedindo a candidatura de “funcionários corruptos”.
O anúncio, embora repentino, é fruto de semanas de negociações no Congresso. Inicialmente, o governo considerou adiar a parte sobre financiamento e tornar as Paso optativas, mas o projeto final parece ter unificado as propostas. Conforme informações divulgadas, a proposta visa reformular significativamente o cenário político argentino, conforme anunciado pelo presidente.
Mudanças nas Eleições e Combate à Corrupção
A principal medida anunciada é o **fim das Paso**, mecanismo criado durante o governo de Cristina Kirchner e implementado em 2011. Milei já havia tentado extinguir as primárias no ano passado, mas a falta de apoio no Congresso o impediu. A resistência à eliminação das Paso é atribuída às disputas internas dos partidos para a escolha de candidatos e ao receio de que o governo possa usar essa mudança para enfraquecer a oposição, que teria seus votos divididos.
Em contrapartida, o governo incorporou à proposta a **”Ficha Limpa”**, inspirada na lei brasileira. Essa regra **proibirá a candidatura de indivíduos condenados em segunda instância por corrupção**, uma iniciativa que vinha sendo defendida pelo partido Proposta Republicana, fundado pelo ex-presidente Mauricio Macri.
Contexto Político e Popularidade de Milei
A proposta de reforma eleitoral chega em um momento crucial para Javier Milei. Apesar de dados que indicam queda na pobreza e certa estabilidade econômica, a **popularidade do presidente tem sofrido quedas mensais**. Uma pesquisa recente da AtlasIntel apontou que 57,4% dos argentinos desaprovam o governo, contra 30,3% que o consideram bom ou excelente.
O último mês foi marcado por uma série de escândalos que atingiram a imagem de Milei. Entre eles, estão arquivos encontrados no celular de um empresário que sugerem um envolvimento maior do presidente no caso de promoção do criptoativo $Libra, e uma investigação sobre o suposto enriquecimento ilícito de seu chefe de gabinete, Manuel Adorni. A reforma eleitoral pode ser vista como uma tentativa de **reafirmar o controle político e a imagem de “renovação”** em meio a essas turbulências.
A Força da Coalizão de Milei no Congresso
Desde o final de 2025, o partido de Milei, A Liberdade Avança, detém uma posição significativa no Congresso argentino. A sigla possui quase 40% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 21 dos 72 senadores. Essa **configuração parlamentar tem sido fundamental** para a aprovação de iniciativas importantes para o projeto político de Milei, como a reforma trabalhista e um novo regime criminal que reduz a maioridade penal.
A capacidade de articular e aprovar reformas, mesmo diante de resistências, demonstra a força política do governo Milei. A reforma eleitoral, se aprovada, representará mais uma vitória para o presidente, buscando moldar o sistema político de acordo com suas propostas de campanha e ideologia ultraliberal, consolidando ainda mais seu poder.





