Milton Hatoum é o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras, celebrando a literatura amazonense e nacional.
O escritor Milton Hatoum celebrou um marco em sua carreira literária ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) nesta sexta-feira, 24 de novembro. A cerimônia ocorreu na sede da instituição, no Petit Trianon, no Rio de Janeiro, e o consagrou como o primeiro autor nascido no Amazonas a integrar o seleto grupo de “imortais”.
Hatoum ocupará a cadeira 6, que antes pertencia ao jornalista Cícero Sandroni, falecido em junho do ano passado. A eleição do escritor para a ABL, ocorrida em agosto deste ano, já sinalizava a importância de sua obra para o cenário literário brasileiro. A escritora Ana Maria Machado, em seu discurso de boas-vindas, destacou a relação única de Hatoum com o tempo e a permanência em sua escrita, contrastando com a efemeridade da era contemporânea.
Em seu discurso de posse, Milton Hatoum fez uma bela homenagem ao jornalista Cícero Sandroni, além de relembrar figuras importantes que ocuparam a cadeira 6 anteriormente, como Barbosa Lima Sobrinho e Raymundo Faoro. O autor também fez menção à obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, um escritor que, apesar de sua relevância, nunca chegou a ser membro da ABL. Conforme informação divulgada pela ABL, a cerimônia marca a entrada de um dos mais importantes nomes da literatura brasileira contemporânea na instituição.
Uma carreira consolidada e reconhecida internacionalmente
Com uma trajetória literária marcada por romances, contos e crônicas, Milton Hatoum conquistou reconhecimento tanto no Brasil quanto no exterior. Suas obras mais célebres, como “Relato de um certo Oriente”, “Dois irmãos” e “Cinzas do Norte”, foram agraciadas com o Prêmio Jabuti, um dos mais prestigiados do país. Esses títulos foram traduzidos para diversos idiomas e publicados em países da Europa, América e Ásia, demonstrando o alcance global de sua produção literária.
A obra “Dois irmãos”, por exemplo, ganhou uma adaptação para a televisão, transformando-se em uma minissérie de grande repercussão exibida pela TV Globo. A capacidade de Hatoum de transpor suas narrativas para diferentes mídias reforça a força e a universalidade de seus enredos.
Trajetória acadêmica e intelectual diversificada
Além de sua prolífica carreira como ficcionista, Milton Hatoum também atuou como professor universitário e colunista em importantes veículos de imprensa. Sua participação em programas acadêmicos e residências literárias em instituições internacionais enriqueceu ainda mais seu perfil intelectual, permitindo a troca de saberes e experiências com diferentes culturas.
Nascido em Manaus em 1952, Hatoum viveu em diversas cidades brasileiras e no exterior. Sua formação acadêmica é igualmente impressionante, com graduação em arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em literatura em Paris. Ele também lecionou na Universidade Federal do Amazonas e foi professor visitante em renomadas universidades como Berkeley e Sorbonne.
Legado literário e impacto na cultura brasileira
A obra de Milton Hatoum transcende a ficção, abrangendo ensaios, traduções e artigos sobre literatura brasileira e latino-americana. Com mais de meio milhão de exemplares vendidos, sua produção literária é amplamente aclamada pela crítica, tanto no Brasil quanto fora dele. A entrada do escritor na Academia Brasileira de Letras, composta por 40 “imortais”, reforça a importância de sua contribuição para a cultura e a identidade nacional.
A Academia Brasileira de Letras, criada no final do século 19, é uma das principais referências culturais do Brasil, e a posse de Milton Hatoum solidifica ainda mais seu papel na preservação e promoção da literatura nacional.





