
Papa Francisco: Abusos sexuais são praga na Igreja e exige escuta, verdade e reparação às vítimas
Papa Francisco declara que abusos sexuais são praga na Igreja e cobra reparação às vítimas na Espanha O Papa Francisco fez uma declaração contundente nesta segunda-feira (8) ao afirmar que os abusos sexuais cometidos por membros do clero representam uma verdadeira “praga” para a Igreja Católica. Em um encontro com bispos espanhóis, o Sumo Pontífice exigiu uma resposta à altura do problema, baseada em “escuta, verdade, justiça e reparação” para as vítimas. A fala do Papa ocorre em um momento de intensas críticas de ativistas que acusam a Igreja de ainda não enfrentar o escândalo de forma adequada. Francisco reconheceu a dor das vítimas, afirmando que “uma das experiências mais dolorosas é encontrar aqueles que foram feridos precisamente por quem deveria cuidar deles, incluindo membros do clero”. O líder da Igreja Católica pediu que toda pessoa prejudicada encontre no seio eclesiástico “escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais para a cura”. Além disso, defendeu um compromisso mais forte com medidas de prevenção e a criação de uma cultura de proteção para crianças e pessoas vulneráveis. As declarações foram feitas durante a visita oficial do Papa à Espanha, país marcado por décadas de denúncias de violência sexual praticada por religiosos, que abalaram a credibilidade da Igreja. Abusos sexuais: um chamado à reparação e transparência Em sua mais direta referência ao escândalo de abusos clericais durante a viagem, o Papa Francisco reiterou que “Diante desta praga, a comunidade eclesiástica é chamada a responder com escuta, verdade, justiça e reparação”. O Vaticano informou que o Pontífice se reuniria com um grupo de vítimas durante a visita, embora detalhes do encontro não tenham sido divulgados. A imprensa espanhola aponta que a reunião ocorreria de forma reservada na Nunciatura Apostólica, em Madri. A decisão de um encontro reservado gerou críticas de associações de ativistas, que alegam não terem sido convidadas. Membros desses grupos protestaram em frente à representação diplomática do Vaticano, denunciando o que consideram uma “falta de transparência”. Os ativistas cobram “ações concretas”, incluindo atendimento psicológico permanente, indenizações justas e apoio educacional e profissional às vítimas. A dimensão do problema na Espanha foi evidenciada por um relatório de 2023 do Defensor do Povo, órgão de direitos humanos do país. O documento estima que mais de **200 mil menores** podem ter sofrido abusos sexuais cometidos por integrantes do clero católico desde 1940. Em resposta à pressão, o governo espanhol e a Igreja firmaram um acordo em março deste ano para indenizar vítimas de crimes sexuais, após anos de resistência e acusações de falta de transparência por parte da hierarquia eclesiástica. Crise espiritual, migração e defesa da vida Além da questão dos abusos, o Papa Francisco aproveitou a visita para transmitir uma mensagem política ao Congresso espanhol. Falando em espanhol, o Pontífice declarou que o mundo vive uma “profunda crise espiritual e cultural”, marcada pelo aumento da violência, da polarização e da desconfiança entre as sociedades. “O mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta em múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança








