
Irã acusa EUA de violar cessar-fogo e dispara mísseis contra Bahrein e Kuwait, elevando tensão no Golfo
Tensão no Golfo Pérsico aumenta com acusações mútuas e ataques de mísseis entre Irã e EUA, abalando cessar-fogo frágil. O Irã declarou neste sábado (6) que os ataques americanos contra instalações de vigilância no Golfo Pérsico configuram uma violação flagrante do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril. Em resposta, o país lançou mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, aliados dos Estados Unidos na região, intensificando um conflito que já se arrasta há mais de um mês. O Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou as ações americanas como “uma agressão militar contra a soberania nacional” e condenou o “comportamento hostil e provocador do regime americano”. A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter atacado “bases inimigas na região” com mísseis, enquanto o Bahrein e o Kuwait denunciaram a agressão e alertaram para uma “escalada perigosa”. A escalada de violência começou quando o Comando Central dos EUA anunciou ter derrubado quatro drones iranianos e atacado duas instalações de radar em território iraniano. Conforme informações divulgadas, o Pentágono afirmou que não houve americanos feridos nem danos à sua infraestrutura militar. Fragilidade do cessar-fogo e impasse nas negociações O cessar-fogo, estabelecido em 8 de abril após mais de um mês de combates que afetaram significativamente a cúpula do poder iraniano, tem se mantido precariamente, com hostilidades esporádicas. Semanas de negociações complexas, marcadas por ameaças e episódios de violência, não resultaram em um acordo para encerrar a guerra e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de combustíveis. Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou à CNN na sexta-feira (5) que “as negociações estão em ponto morto” e que o presidente Trump deveria intervir. Rezaei condicionou avanços ao desbloqueio de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados pelas sanções americanas, enfatizando que “esse é o nosso dinheiro, não o dinheiro dos Estados Unidos”. Divergências e conflitos regionais persistem Diversos fatores dificultam o progresso diplomático, incluindo divergências sobre a gestão do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e as sanções impostas a Teerã. Além disso, os combates entre Israel e o Hezbollah no Líbano adicionam complexidade ao cenário. No front libanês, o exército informou neste sábado que um ataque israelense no sul do país matou três militares. O Hezbollah rejeitou um novo acordo de cessar-fogo, firmado em Washington, por não prever a retirada total de Israel. O presidente libanês, Joseph Aoun, pediu ao Irã para não interferir nos assuntos do Líbano, ao que o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, respondeu recomendando que Aoun se voltasse contra Israel, seu “verdadeiro inimigo”. Desde o início do conflito, os ataques israelenses no Líbano deixaram mais de 3.560 mortos. Do lado israelense, foram registradas 27 mortes de militares e um funcionário civil terceirizado.








