Putin descarta reunião com Zelenski e acusa Kiev de “rudeza”; Ucrânia reage: “Ele escolheu a guerra”
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta sexta-feira (5) que não vê motivos para se encontrar com o líder ucraniano, Volodimir Zelenski, após receber uma carta aberta do presidente da Ucrânia solicitando uma reunião e um cessar-fogo para negociações.
Em discurso proferido no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, Putin classificou a forma como Zelenski propôs a cúpula como uma atitude “rude”, sugerindo que tal abordagem inviabiliza o diálogo.
“Trata-se de uma maneira de criar condições para encontros pessoais e conversas, ou de criar um ambiente no qual encontros pessoais são impossíveis? Creio que seja a segunda hipótese”, afirmou o líder russo, que tem rejeitado novas negociações para encerrar o conflito.
Para que as tratativas de paz avancem, Moscou exige pesadas concessões políticas e territoriais de Kiev. Entre as exigências estão a retirada completa das Forças Armadas ucranianas da região de Donetsk, condição que o governo ucraniano rejeita, considerando-a uma capitulação.
Putin declarou que “é claro que o lado ucraniano gostaria que suspendêssemos os avanços feitos por soldados russos no campo de batalha”. Ele acrescentou que “seria melhor encerrar a guerra de acordo com o plano delineado em Anchorage”, referindo-se a uma antiga cúpula com Donald Trump.
Moscou exige controle do Donbass e proibição da OTAN
Naquele encontro, que terminou sem acordo formal, Moscou reiterou suas exigências: controle de toda a região do Donbass, congelamento das linhas de frente em seu estado atual e a proibição de que a Ucrânia se junte à OTAN, a aliança militar ocidental.
Horas após a fala de Putin, Zelenski criticou a recusa russa em um encontro direto. “Ele escolheu novamente a guerra. Está claro que [Putin] não quer o fim da guerra. Muitas pessoas ficarão desapontadas com isso, e é por isso que precisamos aplicar mais pressão sobre a Rússia”, declarou o presidente ucraniano.
Putin mencionou que um empresário russo, não identificado, viajou a Kiev no mês passado a pedido do governo ucraniano e se encontrou com Zelenski. Segundo o líder russo, os ucranianos teriam proposto um encontro direto nessa ocasião, mas ele reitera que “não há motivo” para tal, especialmente após um ataque ucraniano que resultou em 21 mortes em um dormitório estudantil em Lugansk.
Situação militar e economia russa em foco
Apesar das declarações assertivas, a situação militar da Rússia na Ucrânia tem apresentado dificuldades nas últimas semanas. Após meses de avanço constante, as forças russas estagnaram na linha de frente, e os ucranianos conseguiram interromper a ofensiva iniciada na primavera.
Uma análise do projeto Russia Matters, da Universidade Harvard, aponta que a Rússia perdeu 240 quilômetros quadrados de território entre 5 de maio e 3 de junho deste ano, uma área ligeiramente maior que a cidade de Recife. No mês anterior, Moscou já havia perdido 120 quilômetros quadrados.
“Estamos nos movendo para atingir nossos objetivos na Ucrânia de forma calma e resoluta”, afirmou Putin, reconhecendo, contudo, que os ataques de drones ucranianos contra alvos na Rússia “causam certo dano”. Ele concluiu que “para nós, isso significa apenas uma coisa: precisamos fortalecer nossa segurança, nossas defesas aéreas, e faremos isso.”.
Putin minimiza desaceleração econômica russa
Putin também utilizou seu discurso em São Petersburgo para minimizar a desaceleração da economia russa. Em 2024, o país registrou um crescimento de 4,3%, mas em 2025 o crescimento foi de apenas 1%, uma taxa que deve se repetir este ano.
Para o presidente russo, os países desenvolvidos do Ocidente perdem relevância na economia global, enquanto nações como China e Índia apresentam um potencial de crescimento significativamente maior.





