Israel em Votação: O Cenário Político Pós-7 de Outubro e a Liderança de Netanyahu
As eleições legislativas em Israel, realizadas um dia após a divulgação de dados parciais da apuração, colocam a coalizão liderada pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu em vantagem. Com 90% das urnas apuradas, o bloco de Netanyahu e seus aliados somam 53 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto a oposição alcançou 48 assentos e os partidos árabes, 19. Os resultados ainda podem sofrer alterações, e pesquisas indicam um empate técnico entre os principais blocos, sem uma maioria definida até o momento.
A alta participação popular, atingindo 77,7% dos eleitores, a maior desde 1999, reflete a tensão e o engajamento da sociedade israelense diante de um contexto marcado pelos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023 e pelas subsequentes operações militares em Gaza, Líbano e Irã. A formação do próximo governo dependerá crucialmente das negociações entre as legendas, uma vez que nenhum partido deve atingir diretamente os 61 assentos necessários para a maioria parlamentar.
As pesquisas de boca de urna já apontavam uma disputa acirrada, com o Likud, partido de Netanyahu, projetado a conquistar 24 cadeiras e o rival Yashar, 22. Em meio a essa incerteza, o presidente Isaac Herzog enfatizou a necessidade de evitar novas eleições. O processo de formação de governo envolve consultas presidenciais e a nomeação de um parlamentar para buscar a formação de uma coalizão, com um prazo de 28 dias, prorrogáveis por mais 14. Conforme divulgado pela Comissão Eleitoral de Israel, os resultados ainda podem variar.
Netanyahu Promete Governo de Direita e Critica Partidos Árabes
Em declarações após a divulgação dos primeiros resultados, Binyamin Netanyahu afirmou que o Likud é o maior partido do país e prometeu formar um novo governo de “direita forte”. Ele ressaltou a importância da união da “maioria judaica e sionista” e declarou ser “impensável ter um governo que conte com o apoio de partidos árabes”. Netanyahu também mencionou uma “oportunidade única” de, junto a Donald Trump, “eliminar para sempre a ameaça existencial do Irã”.
O primeiro-ministro, contudo, acusou legendas árabes de “roubarem as eleições”, alegando que elas “apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu por meio de graves atos criminosos de corrupção, ameaças, violência, falsificações e o uso de software proibido”. Essa retórica, direcionada aos árabes israelenses, que compõem um quinto da população, tem sido criticada por oponentes como beirando o racismo.
Oposição Busca Alternativa e Partidos Árabes Sinalizam Apoio Condicional
O principal rival de Netanyahu, Eisenkot, manifestou que os resultados iniciais indicam falta de confiança no atual primeiro-ministro e prometeu trabalhar para substituí-lo. Em resposta, o chanceler Gideon Saar, do Likud, considerou as comemorações da oposição “prematuras”. O presidente da Lista Conjunta Árabe, Yousef Jabareen, acenou ao bloco contrário a Netanyahu, afirmando que “qualquer um que queira oferecer uma alternativa genuína e substantiva ao governo sanguinário de Netanyahu terá de falar conosco para pavimentar o caminho da mudança que o público israelense deseja”.
Jabareen, em declarações à agência AFP, ponderou que o partido árabe não vislumbra participar diretamente de uma coalizão nas circunstâncias atuais. “Mas, para derrubar [a que está no poder] poderíamos apoiar um governo alternativo, sem fazer parte dele”, explicou. Em Tel Aviv, manifestantes pediram a renúncia de Netanyahu, com cartazes como “Israel apartheid, não democracia”, defendendo um governo conjunto entre árabes e judeus para “mudança sem um governo conjunto”.
O Complexo Cenário de Formação de Governo em Israel
A formação do próximo governo em Israel é um processo complexo, pois os cidadãos votam em listas partidárias, e as cadeiras são distribuídas proporcionalmente, desde que superem a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. O presidente Isaac Herzog consultará as legendas e encarregará um parlamentar para tentar formar o governo, que não precisa ser o líder do partido mais votado, especialmente em cenários de ausência de maioria confortável. O indicado terá um prazo de 28 dias, com possibilidade de extensão, para negociar uma coalizão.
Caso o indicado fracasse, a lei prevê outras tentativas antes de uma eventual nova eleição. Existe também a possibilidade de um governo minoritário com apoio externo. Enquanto um novo gabinete não obtiver a confiança do Parlamento, Netanyahu permanece no cargo. A eleição ocorre em meio a debates sobre custo de vida, segurança nacional, alistamento militar de ultraortodoxos e as falhas que levaram aos ataques de 7 de outubro, quando o Hamas matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns.
Netanyahu Busca Longevidade Política Diante de Críticas e Desafios
Binyamin Netanyahu, 77 anos, busca estender seu mandato, que já ultrapassa 19 anos, com o apoio de partidos religiosos e de extrema direita. Ele tem apresentado as operações militares em Gaza, Líbano e contra o Irã como prova de fortalecimento da segurança nacional. Seus adversários, por outro lado, cobram uma investigação aprofundada sobre as falhas ocorridas em 7 de outubro. Seu principal rival, Eisenkot, 66 anos, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, defende a investigação do ataque, mudanças no serviço militar e a independência do Judiciário, além de rejeitar a criação de um Estado palestino e propor o desmantelamento da capacidade militar do Hamas.





