Busca na residência de Ilhan Omar: Investigação de imigração e acusações de abuso de poder marcam eleição nos EUA
Autoridades americanas realizaram uma operação de busca na casa da deputada democrata Ilhan Omar, de Minnesota, na madrugada desta segunda-feira (12). A congressista, conhecida por suas críticas a Donald Trump, vê a ação como uma tentativa de perseguição política.
O Departamento de Justiça confirmou que a operação faz parte de uma investigação em andamento, que, segundo fontes, envolve suspeitas de fraude imigratória. O foco estaria em documentos de imigração da parlamentar, nascida na Somália, preenchidos por seu pai, já falecido, quando ela era criança.
Ilhan Omar utilizou as redes sociais para expressar sua indignação, afirmando que o governo está sendo instrumentalizado para perseguir um adversário político do presidente. Ela declarou que não se calará diante da escalada de intimidação política, conforme divulgado pelo Departamento de Justiça.
Deputada denuncia instrumentalização do governo contra opositores
Em sua publicação, Ilhan Omar acusou Donald Trump de perseguição há uma década, com base em “mentiras infundadas e campanhas difamatórias”. Ela classificou a busca em sua casa como a “mais recente escalada em sua campanha de intimidação política”. A deputada, que busca seu quinto mandato nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro, reiterou sua determinação em não se calar diante de tais táticas.
Outros democratas também se manifestaram, acusando Trump e seu governo de abuso de poder. Um porta-voz do Departamento de Justiça informou que agentes da Investigação de Segurança Interna cumpriram um mandado de busca autorizado pela Justiça na região de Washington. O órgão faz parte do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Secretário de Segurança Interna sinaliza ação contra a deputada
O Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, indicado por Trump, havia declarado no mês anterior que “algo vai acontecer” na apuração sobre a entrada da família de Omar nos EUA. Na ocasião, ele afirmou ao podcaster conservador Benny Johnson que, caso se prove que ela “não deveria estar aqui desde o início”, ela seria deportada.
A operação ocorre pouco mais de três semanas antes das eleições de meio de mandato, um período historicamente sensível para ações investigativas contra candidatos, segundo normas do Departamento de Justiça. A pasta geralmente evita tomar medidas que possam influenciar o resultado eleitoral nos 60 dias anteriores a uma votação.
Democratas condenam ação e falam em “máquina de deportações”
Em uma declaração conjunta, a liderança democrata na Câmara, incluindo Hakeem Jeffries, expressou profunda preocupação com a operação, levantando sérias questões sobre a instrumentalização do governo federal contra adversários de Trump. Os democratas acusaram os republicanos de perseguir Omar “implacavelmente” e afirmaram que a “máquina de deportações em massa de Trump chegou à casa de uma integrante eleita do Congresso”.
O governador democrata de Minnesota, Tim Walz, também condenou a ação, escrevendo nas redes sociais que “o presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição”. Democratas de Minnesota endossaram a condenação, chamando a atenção para o que consideram uma tática eleitoral.
Histórico de ataques de Trump contra Omar e minorias
Ilhan Omar tem sido alvo constante de ataques de Donald Trump, que já retratou a comunidade somali-americana como uma ameaça a Minnesota e fez declarações contra somalis e muçulmanos. A deputada descreve a atenção do presidente como uma “obsessão doentia e assustadora”.
Recentemente, Trump rotulou Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan e muçulmano, como “extremista radical” e “simpatizante de terroristas”. Defensores dos direitos civis criticam a retórica de Trump contra minorias e imigrantes, lembrando quando ele chamou os somalis de “lixo”.
Em fevereiro, Trump sugeriu que Omar e a deputada democrata Rashida Tlaib, também muçulmana, deveriam ser “internadas em instituições” e mandadas de volta “para o lugar de onde vieram”. As duas haviam criticado o presidente durante o discurso sobre o Estado da União. Omar relata ter recebido ameaças de morte, que atribui à “retórica política de ódio”, especialmente às declarações de Trump.
No mês passado, um homem de Minnesota que agrediu Omar com vinagre foi condenado a um ano e dois meses de prisão por agredir uma autoridade federal, admitindo ter atacado a deputada por discordar de suas posições políticas progressistas.





