Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Padre do Vaticano: IA é dom de Deus, mas amor por robô é impossível; ‘sexo com máquina é terrível’

Padre do Vaticano: IA é dom de Deus, mas amor por robô é impossível; ‘sexo com máquina é terrível’

A Igreja Católica tem se posicionado ativamente no debate sobre inteligência artificial (IA), buscando orientar o desenvolvimento tecnológico sob uma perspectiva humanista. A Academia Pontifícia para a Vida, órgão consultivo do Vaticano, tem liderado essa discussão, abordando tanto os benefícios quanto os riscos da IA.

O padre Andrea Ciucci, secretário-coordenador da Academia, enfatiza que a IA é um “dom de Deus”, mas ressalta que, como tal, não é uma solução automática para os problemas humanos, exigindo liberdade, dever e responsabilidade em seu uso.

Em entrevista, Ciucci detalhou a visão da Igreja sobre a IA, os desafios que ela impõe à tradição cristã e a necessidade de uma regulação global, conforme informações divulgadas pela Folha de S. Paulo.

IA: Um Dom Divino que Exige Responsabilidade Humana

O padre Andrea Ciucci inicia sua argumentação destacando a visão positiva da Igreja sobre a IA. “O papa Francisco disse, em 2024, que a inteligência artificial é um dom de Deus”, afirma Ciucci, explicando que todo dom abre possibilidades e exige do ser humano liberdade, dever e responsabilidade em sua utilização. A IA, portanto, não resolve problemas por si só, mas convida à reflexão sobre o futuro que desejamos construir.

Ciucci ressalta que a Igreja se vê como um agente do futuro, impulsionada pela mensagem de esperança da Páscoa. A IA desafia a Igreja a definir que tipo de futuro almejamos, indo além de meras proteções e focando na construção de um amanhã desejado.

Os Desafios da IA para a Tradição Cristã: Corpo, Carne e Fraternidade

Um dos principais desafios que a IA apresenta para a Igreja Católica, segundo Ciucci, reside na questão do corpo e da carne. Sendo uma religião centrada na encarnação e na ressurreição da carne, a Igreja se preocupa com a crescente digitalização que pode levar ao desaparecimento do corpo nas interações humanas. A tradição cristã professa a ressurreição da carne, e não apenas a imortalidade da alma.

Outro ponto crucial é o risco de rompimento dos laços de fraternidade. Em uma era onde se pode dialogar com máquinas, Ciucci aponta para casos de pessoas que se casam com robôs ou se confessam a chatbots. Ele considera a missa online uma ferramenta útil em situações específicas, como durante a pandemia ou para pessoas impossibilitadas de sair, mas alerta para a perda da fraternidade concreta quando essas plataformas substituem o encontro humano.

Ciucci questiona o uso do termo “inteligência” para descrever modelos de IA, pois estes emulam processos sem possuir pensamento, fala ou consciência. Ele argumenta que a própria definição de inteligência humana ainda é complexa, tornando inadequado aplicar o mesmo termo a máquinas.

Amor, Sexo e IA: A Impossibilidade de Amar um Robô

Diante de relatos de pessoas que se relacionam romanticamente com chatbots, Ciucci é categórico: “Não se pode amar uma máquina”. Ele reconhece que a disponibilidade 24 horas e a ausência de contestação podem atrair pessoas solitárias, mas enfatiza que a solução não é eliminar o robô, mas sim oferecer relações humanas reais. A máquina, nesse contexto, representa uma solução fácil, mas não humana.

A questão do uso da IA para gerar conteúdo erótico também é abordada. Ciucci lamenta que toda nova tecnologia acabe sendo utilizada para a pornografia, o que empobrece a sexualidade, tradicionalmente ligada ao amor na tradição cristã. Ele descreve o sexo com uma máquina como “terrível” e uma experiência pobre, alertando para o impacto negativo na formação sexual de crianças e adolescentes, que podem ter sua visão de sexualidade e do papel da mulher deturpada.

IA, Anticristo e a Necessidade de Regulação Global

Sobre as especulações de que o anticristo estaria por trás do discurso em defesa da governança global da IA, Ciucci se distancia de narrativas religiosas para a tecnologia. Ele entende o anticristo como a tentação constante do egoísmo, da avidez e do isolamento, que se manifestam em todas as épocas. A IA, em si, não representa uma manifestação forte do anticristo, mas pode ser vista como um novo ídolo.

Ciucci defende a necessidade de uma governança global para a IA, argumentando que a tecnologia é um fenômeno mundial com o mesmo dispositivo, o smartphone, presente em bilhões de bolsos. A Igreja Católica, como instituição global, busca harmonizar a mensagem universal com as tradições locais, defendendo uma visão comum para a IA, equilibrando o local e o global.

A Academia Pontifícia para a Vida propôs, em 2020, o “Chamado de Roma pela IA Ética”, um documento com seis princípios éticos e três áreas de impacto: ética, educação e direitos humanos. Ciucci ressalta que a regulação, embora necessária, deve ser acompanhada de uma visão clara do futuro que se deseja. A Igreja não tem uma posição definida sobre a rigidez de regulamentações específicas, mas concorda que a ausência de regras é prejudicial, conforme cita a Folha de S. Paulo.

A relação da Academia com empresas de tecnologia tem sido de colaboração. Executivos reconhecem a necessidade de reflexão humanista em meio a equipes majoritariamente técnicas. A Igreja defende uma IA ética embutida na tecnologia, pois nenhuma tecnologia é neutra e todas carregam uma visão de humanidade e sociedade.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos