Papa Leão 14 apela por concessões em negociações de paz e defende valores europeus em meio a conflitos e desafios globais.
O papa Leão 14 fez um apelo contundente nesta segunda-feira (28) para que os negociadores envolvidos na busca pelo fim da guerra na Europa estejam dispostos a fazer concessões. A declaração surge em um momento de persistentes fracassos nos esforços para encerrar o conflito na Ucrânia.
Em um discurso para líderes europeus na cidade de Metz, berço de um dos fundadores da União Europeia, o pontífice lamentou o retorno da guerra ao continente. Ele descreveu o conflito como “um novo massacre sem sentido, que ceifa inumeráveis vidas civis todos os dias”.
A fala do Papa Leão 14, proferida em francês, foi recebida com aplausos de pé. Ele também aproveitou a ocasião para reforçar sua visão política para o continente, elogiando a integração e o multiculturalismo em um período de ascensão da ultradireita na região. O pontífice exortou os europeus a se lembrarem dos valores fundadores da UE, como o Estado de Direito e a igualdade entre as pessoas, sem distinções. Conforme informação divulgada pelo Euro Radar, newsletter sobre geopolítica e economia global editada pelo jornalista João Caminoto.
Apelo por negociação e contra o rearmamento
O papa Leão 14, em sua ênfase sobre a guerra na Ucrânia, embora sem mencioná-la diretamente, declarou: “Precisamos demonstrar coragem nas negociações e estar dispostos a abrir mão de algumas posições em nome do bem maior da paz”. Essa exortação ecoa um apelo semelhante feito pelo papa Bento 15 em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial.
Além disso, o pontífice reiterou sua oposição ao aumento dos gastos militares europeus, que registraram o maior crescimento desde o fim da Guerra Fria no ano passado. Ele alertou contra a ilusão de que o rearmamento seria a solução, questionando se os esforços atuais visam a promoção da paz mundial ou apenas a preparação para futuras guerras.
Integração de migrantes e alerta sobre IA
Ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, Leão 14 pediu aos líderes europeus que acolham e integrem os migrantes, oferecendo-lhes oportunidades como se fossem membros da própria família. Ele defendeu “vias legais e seguras” para a imigração e a cooperação internacional contra o tráfico de pessoas.
O papa também abordou as preocupações crescentes com a Inteligência Artificial (IA), afirmando que os alertas dos especialistas devem ser levados a sério. Embora tenha dito que não está em estado de pânico, ele enfatizou a importância de discutir o tema em conjunto e de não ignorar os riscos potenciais, citando sua recente encíclica, “Magnifica Humanitas”, que defende a proteção da humanidade diante das novas tecnologias.
Encontro com vítimas de abuso e reflexões sobre a Igreja
Durante sua visita, o pontífice também se reuniu com vítimas de abuso sexual infantil cometidos por clérigos na França. O papa prometeu ação para prevenir futuros casos e pediu que a Igreja reconheça suas falhas para curar “feridas profundas” em seu interior. Dirigindo-se a uma multidão em Lourdes, Leão 14 disse que a Igreja precisa de coragem para enfrentar seu passado, sem mencionar diretamente os escândalos nacionais.
Ele enfatizou a necessidade de humildade para curar as “feridas profundas, as infidelidades e os erros dolorosos” dentro da Igreja e pediu aos bispos franceses perseverança na prevenção e reparação das agressões sexuais. A visita do Papa Leão 14 à França abordou temas cruciais como a paz, a migração, a tecnologia e a reconciliação dentro da própria Igreja Católica.





