Peru: Eleição Presidencial Enfrenta Atrasos, Protestos e Incerta Definição do Segundo Turno
Mais de uma semana após as eleições, o Peru ainda vive um clima de incerteza quanto ao adversário de Keiko Fujimori no segundo turno presidencial. Com um número recorde de 35 candidatos e um eleitorado farto da crise política, o país enfrenta atrasos significativos na apuração e contestações que podem se estender por semanas.
A complexidade do processo eleitoral, somada a inconsistências em atas de apuração e a um número sem precedentes de votos a serem processados, tem gerado um cenário de tensão. Enquanto Keiko Fujimori já se consolida para a segunda rodada, a disputa acirrada pela segunda vaga mantém o país em suspense.
Autoridades eleitorais indicam que a definição do segundo turno pode levar ainda semanas, um cenário que se agrava com os protestos e os pedidos de anulação de votos por parte de alguns candidatos. Acompanhe os desdobramentos dessa eleição histórica no Peru, conforme informações divulgadas pelas autoridades eleitorais peruanas.
A Longa Espera Pela Contagem Final
Yessica Clavijo, secretária-geral do Conselho Nacional Eleitoral (JNE), explicou que o processamento das atas de apuração, que chegam em formato físico, demanda tempo. “Em média, as Juntas Eleitorais levam três dias para processar as atas de apuração, pois elas chegam em formato físico. Precisamos digitalizá-las, gerar os respectivos arquivos, proceder à análise, elaborar as resoluções, garantir que sejam devidamente notificadas e que se tornem definitivas”, detalhou.
O cenário é ainda mais complexo devido à recriação do Senado e a uma cédula eleitoral de 44 centímetros de comprimento. Aproximadamente 6% das seções eleitorais foram contestadas na semana passada por inconsistências, informações faltantes ou erros nas atas, o que pode prolongar a revisão por semanas, segundo o JNE.
Disputa Acirrada Pela Segunda Vaga
Com 17,1% dos votos, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, é a única certeza no segundo turno. No entanto, a disputa pela segunda posição está extremamente apertada. Roberto Sánchez, do campo da esquerda, aparece com 12%, enquanto Rafael López Aliaga, um aspirante a “Donald Trump peruano” e membro da Opus Dei, figura com 11,9%. A diferença entre os dois é inferior a 15 mil eleitores.
As projeções de institutos de pesquisa não oferecem clareza total. O Ipsos colocou Sánchez numericamente em segundo, mas tecnicamente empatado com Aliaga e Jorge Nieto. Já a Datum estimou Aliaga em segundo, também empatado com Nieto, e Sánchez em quinto lugar. A contagem voto a voto, influenciada pela chegada de votos de zonas rurais e andinas, tem alterado as posições.
Protestos e Pedidos de Anulação Agitam o Peru
A diferença apertada entre os candidatos já geraria tensão, mas o processo foi desestabilizado por um problema logístico no dia da votação. Cerca de 13 locais de votação na capital, Lima, não receberam material eleitoral a tempo, afetando mais de 50 mil eleitores. O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), Piero Corvetto, atribuiu a falha à empresa contratada para a distribuição.
Apesar de os locais afetados terem reaberto no dia seguinte e observadores internacionais não terem detectado fraude, Rafael López Aliaga tem pedido a anulação do pleito. Ele chegou a oferecer uma recompensa em dinheiro por provas de irregularidades, o que foi posteriormente interpretado como tentativa de crime eleitoral. Aliaga, que governava Lima até recentemente, tem denunciado fraude desde antes da votação.
O partido de Aliaga, o Renovación Popular, entrou com dezenas de pedidos de anulação contra seções eleitorais na província de Cajamarca, onde Roberto Sánchez obteve mais apoio. Essa tática remete a 2021, quando Keiko Fujimori pediu a anulação de 200 mil votos após perder para Pedro Castillo. A estratégia de Aliaga aprofunda o déjà vu político que o Peru atravessa.





