Plano&Plano desacelera expansão em São Paulo e mira Goiânia em meio à alta da concorrência no programa Minha Casa, Minha Vida.
A construtora Plano&Plano está reavaliando sua estratégia de expansão, com planos de diminuir o ritmo de lançamentos em São Paulo e explorar o mercado de Goiânia. A decisão surge como resposta ao aumento acirrado da concorrência no segmento de habitação de baixa renda na capital paulista.
O mercado de imóveis voltados ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em São Paulo registrou um crescimento expressivo na oferta, o que elevou a competição e impactou as vendas da companhia. A análise, divulgada pelo Itaú BBA após reunião com a alta gestão da Plano&Plano, indica uma mudança de rota focada em otimizar operações e buscar novos mercados promissores.
A maior disputa por clientes e o aumento dos custos de construção têm pressionado as margens da empresa, levando a Plano&Plano a rever seus planos de investimento. A busca por um ambiente de negócios menos saturado é um dos fatores que impulsionam a companhia a olhar para Goiânia.
Aumento da Oferta e Concorrência em São Paulo
O cenário em São Paulo tornou-se desafiador para a Plano&Plano. Segundo dados do Itaú BBA, baseados em informações da Secovi-SP, os lançamentos de imóveis do programa MCMV na cidade saltaram de cerca de 30 mil unidades anuais entre 2020 e 2023 para impressionantes 90 mil unidades nos doze meses anteriores a abril de 2026.
Esse aumento expressivo na oferta de moradias de baixa renda intensificou a competição. Empresas que tradicionalmente atuavam em segmentos de médio e alto padrão passaram a investir mais fortemente no MCMV, como a Eztec e a Cyrela, que aumentou a participação de seus produtos Vivaz nesse segmento. Essa movimentação ampliou a disputa, especialmente nas faixas 3 e 4 do MCMV.
Como reflexo dessa maior competição, a participação de mercado (market share) da Plano&Plano em São Paulo no segmento de baixa renda caiu de 25% em 2022 e 2024 para 23% em 2025 e 16% no primeiro semestre de 2026, conforme apontado pelo Itaú BBA.
Impacto nas Vendas e Margens da Plano&Plano
A maior concorrência em São Paulo afetou diretamente a comercialização dos empreendimentos da Plano&Plano. As vendas não acompanharam a força dos lançamentos, e a empresa precisou intensificar o controle de estoque e oferecer descontos para impulsionar as negociações.
Essa estratégia, combinada com a pressão nos custos de construção, impactou negativamente as margens brutas da companhia. O relatório do Itaú BBA também menciona que vendas mais fracas e repasses de recebíveis mais lentos, especialmente de unidades de média renda e compradores informais, contribuíram para que o fluxo de caixa livre (FCF) ficasse abaixo das expectativas.
Os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 refletiram esse cenário. Embora a receita líquida tenha crescido 16,7% para R$ 914,8 milhões, o lucro líquido consolidado caiu 34,5%, chegando a R$ 67,3 milhões. A margem bruta ajustada também recuou, de 34,5% para 29,7%.
Goiânia como Nova Fronteira de Crescimento
Diante deste panorama, a Plano&Plano decidiu diversificar sua atuação geográfica e mira Goiânia. A capital goiana é vista como um mercado com menor concorrência, o que representa uma oportunidade para a empresa expandir seus negócios sem a mesma intensidade competitiva de São Paulo.
A entrada em Goiânia já havia sido anunciada pela companhia, que planeja lançar projetos na cidade para validar suas hipóteses sobre o potencial do mercado local. Essa estratégia de expansão para novas praças é vista como um caminho para a geração de valor aos acionistas, conforme comunicado da Plano&Plano.
A empresa não pretende abandonar o mercado paulista, mas sim focar na recuperação das vendas e margens dos projetos já existentes, enquanto explora o potencial de crescimento em novas regiões. A expectativa é que a reestruturação da estratégia comercial e a entrada em novos mercados auxiliem na recuperação da velocidade de vendas e na melhoria dos resultados a médio prazo.
Perspectivas e Recomendação do Itaú BBA
O Itaú BBA mantém uma visão positiva sobre as ações da Plano&Plano, com recomendação de “outperform” (compra) e preço-alvo de R$ 15 para os próximos 12 meses. Essa projeção representa um potencial de valorização de cerca de 130% em relação à cotação considerada no momento da análise.
Apesar dos desafios recentes, o banco acredita na capacidade da empresa de se recuperar e apresentar bom desempenho. A recuperação gradual das margens brutas, embora não integral no curto prazo, e a estabilidade nos custos de construção são fatores que podem impulsionar os resultados futuros. A companhia também acompanha de perto a seletividade da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito, que tem retornado aos níveis anteriores.
A Plano&Plano espera uma melhora gradual das margens em seus projetos mais recentes, buscando retornar a patamares próximos a 35%. A gestão da empresa está otimista quanto à capacidade de superar os desafios atuais e consolidar novas frentes de crescimento e geração de valor para seus investidores.





