
Mo Yan e Milton Hatoum: Nobel e Imortal debatem China, cultura e pontes literárias no Brasil
Mo Yan e Milton Hatoum fortalecem laços culturais Brasil-China em debate sobre literatura e geopolítica O Fórum Unesp dedicou seu segundo dia a discussões sobre a China, culminando em um diálogo enriquecedor entre o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Mo Yan, e o imortal da Academia Brasileira de Letras, Milton Hatoum. O evento, parte de uma programação mais ampla sobre geopolítica, economia e a presença internacional chinesa, ressaltou o papel da literatura como ponte entre culturas. Mo Yan, autor de “As Rãs”, expressou admiração por Hatoum, chamando-o de “irmão mais velho” e relembrando sua visita ao rio Amazonas em 2014. Ele destacou a profundidade e a grandiosidade da obra de Hatoum, que reflete suas experiências na região amazônica, evidenciando a conexão entre vivências e criação literária. Milton Hatoum, por sua vez, enfatizou o poder da literatura em transcender barreiras culturais e linguísticas. “Ela derruba barreiras culturais e linguísticas”, afirmou, ressaltando a importância das traduções que permitem o acesso a obras de diferentes partes do mundo. Ele exemplificou como a leitura de um romance ambientado em uma aldeia chinesa pode gerar identificação e compreensão da cultura local, conforme divulgado na programação do Fórum Unesp. A projeção internacional da literatura chinesa Mo Yan é um dos autores chineses de maior reconhecimento no Ocidente, impulsionado pela adaptação cinematográfica de seu livro “Sorgo Vermelho” em 1987. Este sucesso contribuiu para a internacionalização da literatura chinesa e para a projeção cultural do país em escala global. Durante sua participação, Mo Yan comentou a visita de Donald Trump à China, declarando-se apenas um escritor e tratando a questão como política. Ele expressou otimismo em relação ao diálogo entre as duas potências, acreditando que “o diálogo traz progresso”, embora reconheça a necessidade de paciência para observar os desdobramentos. Intensificação das relações culturais e acadêmicas A visita de Mo Yan ao Brasil ocorreu em um contexto de fortalecimento das relações culturais, impulsionado pelo Ano Cultural Brasil-China. A Unesp anunciou a inauguração, no segundo semestre, de um curso de bacharelado em língua e cultura chinesa em seu campus de Assis (SP). A universidade também celebra 18 anos de parceria com o Instituto Confúcio, dedicado ao ensino da língua chinesa no Brasil. Luís Antonio Paulino, presidente da fundação, destacou que a difusão do estudo da China no ambiente universitário brasileiro ainda é incipiente, sendo crucial o desenvolvimento de uma **sinologia brasileira** autônoma, sem depender de interpretações americanas ou europeias. Superando estereótipos e construindo uma sinologia brasileira Giorgio Sinedino, pesquisador e professor de português na Universidade de Macau, reforçou a necessidade de aprender a língua chinesa para dispensar intermediários estrangeiros e construir uma **sinologia brasileira** sólida. Ele também mencionou o crescente interesse pela literatura brasileira na China, com cerca de 60 universidades oferecendo o curso de português e a popularidade de autores como Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Sinedino resgatou a longa relação comercial entre Brasil e China, iniciada no século XIX com o comércio de chá, mas apontou um paradoxo: o reconhecimento da importância econômica chinesa, mas a marginalização








