Rabat, Capital Mundial do Livro 2026, convida para desvendar sua história e cultura únicas
Enquanto o Rio de Janeiro celebrava seu título como Capital Mundial do Livro em 2025, a honraria da UNESCO passou para novas mãos. A partir de abril, Rabat, no Marrocos, ostenta este prestigiado reconhecimento, prometendo destacar uma cidade com quase mil anos de história e uma profunda conexão com a literatura.
Muitas vezes ofuscada por destinos mais populares como Marrakesh, Casablanca ou Tânger, Rabat, a capital marroquina, ganha agora os holofotes. A escolha da UNESCO visa colocar esta joia histórica no radar de viajantes e amantes da cultura, revelando um local repleto de atrações que vão muito além dos livros.
A designação, que coincide com o Dia Mundial do Livro em 23 de abril, reforça o compromisso de Rabat em promover a leitura. A cidade é a quinta africana a receber este título, um testemunho de seu contínuo investimento em instituições e eventos literários, conforme divulgado pela UNESCO.
Rabat: Um Centro Literário em Ascensão
Rabat se destaca como um polo literário, abrigando 54 editoras e sediando a terceira maior feira do livro da África. Essa efervescência cultural é alimentada por uma história rica e diversificada, que se estende desde os antigos povos fenícios e romanos até as influências coloniais espanholas e francesas. Lugares como a Biblioteca Nacional do Reino do Marrocos, o Instituto Francês de Rabat e os Arquivos Nacionais do Marrocos são centros ativos de intercâmbio cultural e literário.
Um exemplo emblemático dessa paixão pelos livros é a Bouquiniste El Azizi, um sebo fundado em 1967 por Mohamed Aziz. Iniciando suas vendas em um tapete na rua, Aziz dedicou-se a disseminar a leitura em uma época em que o Marrocos enfrentava uma taxa de analfabetismo de cerca de 80%. Hoje, a loja é famosa por suas pilhas de livros que chegam até o teto, representando um dos motivos pelos quais Rabat foi eleita Capital Mundial do Livro.
Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Rabat
Além de seu vibrante cenário literário, Rabat ostenta um legado histórico e arquitetônico impressionante. A cidade inteira é considerada um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, oferecendo uma experiência mais tranquila em comparação com outros destinos marroquinos mais movimentados. Enquanto Marrakesh viu um aumento de 40% em visitantes no último ano, Rabat registrou um crescimento mais modesto de 3%, segundo dados oficiais, preservando sua autenticidade.
A Kasbah dos Oudaias, uma antiga fortaleza à beira-mar, encanta com suas vistas deslumbrantes para o oceano, jardins em estilo andaluz e a mesquita mais antiga da cidade, datada de cerca de 1150. Outro marco imperdível é a área da Torre Hassan, um minarete inacabado do século XII, que ambicionava ser a maior torre do gênero no mundo. Hoje, o local abriga o majestoso mausoléu de Mohammed V, ex-sultão e rei do Marrocos.
Vestígios Romanos e a Opulência Real
Rabat também guarda resquícios da ocupação romana no norte da África, como as ruínas de Sala Colonia, hoje conhecidas como Chellah. Governada pelo Império Romano entre 40 d.C. e o século IV, a área foi posteriormente transformada em cemitério, exibindo vestígios de ambas as épocas. A cidade ainda revela a opulência da monarquia atual com o Palácio Real, Dar al-Makhzen, residência oficial do rei Mohammed VI. Embora o interior do palácio seja restrito a visitantes, sua grandiosidade pode ser apreciada por fora, simbolizando o poder executivo da monarquia marroquina.




