A incrível história por trás da “remada viking”, o gesto que conquistou a torcida norueguesa e virou música número 1 no país.
A seleção da Noruega, após um longo hiato de 24 anos longe da Copa do Mundo, retornou com uma energia contagiante, impulsionada por uma novidade que chamou a atenção global: a “remada viking”. Este gesto sincronizado, que simula o ato de remar, não é apenas uma demonstração de apoio, mas um fenômeno cultural que nasceu de uma ideia simples e se espalhou como fogo.
O movimento, acompanhado pelo grito de “Ro!”, tornou-se rapidamente um símbolo da paixão norueguesa pelo futebol. A iniciativa, que surgiu há poucos meses, não só uniu os torcedores em um espetáculo visual nos estádios, mas também transcendeu as arquibancadas, alcançando o topo das paradas musicais do país.
A inspiração para a “remada viking” veio de um professor norueguês, que buscava criar um cântico que fosse envolvente e memorável. A ideia foi abraçada com entusiasmo pela torcida e pela mídia, transformando um simples gesto em um hino nacional não oficial. Conforme informação divulgada pela ESPN australiana, a história por trás deste fenômeno é digna de nota.
A Genial Ideia do Professor Ole Frøystad
O professor Ole Frøystad foi o arquiteto por trás da “remada viking”. Ele nutria o desejo de criar um cântico que pudesse verdadeiramente engajar a torcida norueguesa, dedicando tempo a desenvolver entre 10 e 15 propostas diferentes. Frøystad buscou inspiração em diversos cânticos, ouvindo música e explorando abordagens variadas.
Seu objetivo era criar algo curto, fácil de aprender e com forte impacto cultural. Ele se inspirou nos “viking claps”, os aplausos coordenados popularizados pela Islândia em eventos esportivos. A partir daí, Frøystad visualizou a força dos vikings remando em direção à batalha, adaptando esse movimento ancestral para as arquibancadas.
“Eu pensei: ‘Bom, é exatamente isso que os vikings faziam. Eles remavam para a batalha. Eles recolhiam as velas, estendiam os remos e remavam até a costa… Foi como um estalo. Com o movimento e a forma como mexemos o corpo, vai ser como aquela ‘ola’ nos estádios. Vai ser incrível”, explicou Frøystad à ESPN australiana, detalhando a essência da sua criação.
Da Arquibancada para o Topo das Paradas Musicais
O teste inicial da “remada viking” ocorreu em março, durante um amistoso contra a Suíça, um dos últimos jogos da Noruega antes da Copa do Mundo. A recepção foi tão positiva que a ideia rapidamente ganhou força. Frøystad e a torcida organizada iniciaram uma campanha de divulgação intensa nas redes sociais e em canais de notícias locais.
Vídeos explicativos foram produzidos para ensinar o movimento de forma coordenada, garantindo que o impacto visual fosse maximizado. A campanha foi um sucesso estrondoso, alcançando a impressionante marca de 38 milhões de visualizações e quase 3 milhões de curtidas. Apesar de algumas críticas iniciais, a adesão foi massiva.
Pouco antes do início da Copa, o cântico já era um fenômeno absoluto. A celebração evoluiu para a música “Vikingblod”, lançada oficialmente pela torcida Oljeberget com a colaboração do cantor Petter Katastrofe. A faixa rapidamente ascendeu e se tornou a música mais ouvida no Spotify norueguês, solidificando a “remada viking” como um marco cultural.
Controvérsias e o Legado da “Remada Viking”
Apesar do sucesso avassalador, a temática viking não foi unanimidade na Noruega. O jornal Verdens Gang (VG) publicou uma crítica questionando a apropriação cultural, perguntando: “Será que realmente não temos nada mais a oferecer além dessa representação vazia e turística desse povo enigmático que migrou para o norte há mil anos?”.
Um torcedor, Emil Anners Lappen, viralizou ao expressar sua oposição ao movimento, declarando ao jornal VG: “Eu acho que essa remada foi uma ideia estúpida desde o começo. Nunca gostei disso”. Essas opiniões, no entanto, não diminuíram o impacto da “remada viking”.
Independentemente das opiniões divergentes, a “remada viking” cravou seu nome na história da Noruega durante esta Copa do Mundo. O gesto e a música demonstram o poder da criatividade e da união da torcida, mostrando que, mesmo sem grandes expectativas, a paixão pelo esporte pode criar fenômenos culturais duradouros e inspiradores.




