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To Lam assume liderança unificada no Vietnã: Poder concentrado pode trazer autoritarismo ou agilidade, dizem analistas

To Lam é o novo presidente do Vietnã em eleição unânime, consolidando poder em figura única

O Vietnã deu um passo significativo em sua estrutura de governança, com a eleição unânime de To Lam, o atual secretário-geral do Partido Comunista, como presidente do país. A decisão, anunciada nesta terça-feira (7), estende seu mandato por cinco anos e marca uma notável mudança em relação à tradicional liderança coletiva vietnamita.

A medida, amplamente esperada no cenário político local, concentra uma autoridade considerável nas mãos de To Lam. Analistas apontam que essa consolidação de poder pode tanto pavimentar o caminho para um maior autoritarismo no Estado de partido único, quanto acelerar a tomada de decisões, em um modelo que se assemelha ao da vizinha China.

A indicação de Lam para a presidência foi endossada pela Assembleia Nacional, seguindo a decisão finalizada pelo Partido Comunista em uma reunião no final de março. Com esta nova posição, To Lam acumula um duplo mandato, já que garantiu a recondução como secretário-geral do partido em janeiro, reforçando sua influência no país. Conforme informação divulgada por um funcionário do Parlamento, a votação ocorreu nesta terça-feira (7), no horário local.

Consolidação de poder: O que dizem os especialistas

A concentração de poder nas mãos de To Lam levanta debates entre especialistas. Le Hong Hiep, pesquisador sênior do Instituto ISEAS Yusof Ishak, em Singapura, aponta que essa centralização pode representar riscos, como o aumento do autoritarismo no sistema político vietnamita.

No entanto, Hiep também ressalta o potencial benefício dessa consolidação. Segundo ele, a medida “pode permitir que o Vietnã formule e implemente políticas de forma mais rápida e eficaz”, o que seria um impulso para o crescimento econômico do país.

Alexander Vuving, do Centro de Estudos de Segurança Ásia-Pacífico, nos Estados Unidos, concorda que a combinação dos cargos alterará a dinâmica política. Ele afirma que “o novo normal” na política vietnamita pode tornar inválidas muitas suposições anteriores, incluindo as sobre a liderança coletiva, alterando fundamentalmente a forma como o país é governado.

O duplo mandato de To Lam

To Lam, de 68 anos, já ocupou ambos os cargos por um período interino após o falecimento do ex-secretário-geral do partido, Nguyen Phu Trong, em 2024. Mesmo após renunciar à Presidência do Estado em favor do general do exército Luong Cuong, Lam manteve uma atuação proeminente, representando o Vietnã em viagens e encontros internacionais.

Em seu primeiro período como chefe do partido, Lam implementou reformas econômicas amplas, buscando aumentar a competitividade do Vietnã. Essas medidas geraram tanto elogios quanto críticas, indicando um cenário de transformações e desafios.

Após sua recondução como chefe do partido, To Lam prometeu impulsionar o crescimento econômico a dois dígitos. Seu plano prevê um novo modelo de desenvolvimento, com menor dependência da manufatura de baixo custo, que historicamente tem sido a base do sucesso exportador vietnamita, impulsionado por multinacionais.

Impacto nas empresas e na política externa

As ações de To Lam, por vezes, causaram inquietação entre a administração e empresas, mas ele demonstrou flexibilidade pragmática na execução de suas políticas. Ele apoiou a expansão de conglomerados privados, mas também reforçou o papel das empresas estatais para tranquilizar os tradicionalistas do partido.

Investidores estrangeiros, essenciais para a economia vietnamita, veem To Lam como um líder pró-negócios, elogiando a estabilidade política do país. Contudo, o apoio a campeões nacionais e o impulso por crescimento acelerado geram preocupações sobre favoritismo, riscos de corrupção e bolhas de ativos.

Na esfera internacional, To Lam tem mantido a “diplomacia do bambu” do Vietnã. O país busca equilibrar suas relações com as grandes potências, ao mesmo tempo em que expande suas parcerias globais. Khang Vu, pesquisador visitante do Boston College, acredita que o duplo cargo de Lam não sinalizará mudanças na política externa, apesar das preocupações com a concentração de poder.

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