Naufrágio devastador em Djibuti: Mais de 200 mortos ou desaparecidos em travessia marítima arriscada
Uma tragédia de grandes proporções abalou a costa de Djibuti, no Chifre da África. Ao menos 109 migrantes, incluindo 15 crianças, perderam a vida em um naufrágio ocorrido entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada de sexta-feira (9). Além das vítimas fatais, outros 116 passageiros seguem desaparecidos, elevando o número total de afetados para mais de 200 pessoas.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, divulgou os dados neste domingo (11), após receber relatos de sobreviventes. A embarcação, que partiu de Djibuti com destino ao Iêmen, virou próximo à localidade de Guhere, ao norte da cidade de Obock, em território djibutiano. A embarcação transportava um total de 305 pessoas.
Este incidente brutal ressalta os perigos extremos enfrentados por migrantes em rotas precárias. As equipes da OIM já estão no local, em colaboração com as autoridades locais, prestando assistência emergencial aos sobreviventes e auxiliando nos esforços de recuperação. A tragédia serve como um lembrete sombrio da vulnerabilidade de milhares de pessoas em busca de segurança e melhores condições de vida.
Rota migratória de alto risco entre Djibuti e Iêmen
Djibuti, estrategicamente localizado em frente ao Iêmen, é um ponto crucial na rota migratória que atravessa o estreito de Bab el-Mandeb. Esta passagem marítima conecta o golfo de Aden ao mar Vermelho, sendo uma via vital para o comércio internacional, especialmente para o transporte de petróleo saudita. A relevância desta rota aumentou consideravelmente nos últimos anos.
Milhares de pessoas do Chifre da África realizam anualmente essa travessia. Elas buscam chegar ao Iêmen e, posteriormente, aos países do Golfo, em busca de refúgio, estabilidade e oportunidades de trabalho. A OIM aponta que a pobreza, a instabilidade e os impactos crescentes das mudanças climáticas são os principais motores que levam essas pessoas a arriscarem suas vidas.
Vítimas e sobreviventes: Perfil da tragédia
O levantamento detalhado dos corpos recuperados pela OIM revela a dimensão humana da tragédia. Entre os 109 mortos confirmados, há 52 homens, 42 mulheres, nove meninas e seis meninos. Mais de 80 pessoas sobreviveram ao naufrágio, e todas elas são de nacionalidade etíope, de acordo com a organização internacional.
A situação de crescente instabilidade no Oriente Médio, incluindo conflitos no próprio Iêmen, não tem dissuadido os migrantes. No início de setembro, a OIM já havia registrado um fluxo significativo de pessoas deixando o Iêmen em direção a Djibuti, em meio a confrontos entre forças governamentais e rebeldes houthis, evidenciando a desesperança que os impulsiona a buscar novas rotas.
OIM alerta para os perigos da migração irregular
Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM em Djibuti, enfatizou a gravidade da situação. “Esta tragédia nos lembra de forma brutal dos perigos aos quais os migrantes estão expostos ao longo dessa rota migratória”, declarou. A organização continua a monitorar a situação e a prestar apoio às comunidades afetadas, reforçando a necessidade de soluções mais seguras e humanas para a migração.





