Tensões no Oriente Médio se intensificam: EUA e Irã trocam ataques e acordo de cessar-fogo é declarado extinto por Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) que o acordo de cessar-fogo entre seu país e o Irã chegou ao fim. A declaração ocorreu após ataques retaliatórios do Irã contra alvos americanos em países do Golfo Pérsico. A escalada da violência impactou os mercados globais, com o preço do petróleo Brent registrando alta de 5% e as Bolsas da Ásia e Europa sofrendo quedas.
As hostilidades reacenderam o conflito entre os rivais, que haviam assinado uma trégua de 60 dias em 17 de junho. O Irã acusou os Estados Unidos de violarem a promessa de manter a navegação livre no estratégico Estreito de Ormuz, ao atingir três petroleiros. Em resposta, os EUA efetuaram o que foi descrito como o mais duro bombardeio desde a implementação do memorando de entendimento com Teerã.
Conforme informação divulgada pelo g1, foram alvejados 60 alvos em regiões costeiras associadas às atividades militares iranianas no estreito. A Guarda Revolucionária do Irã, por sua vez, lançou mísseis e drones contra instalações americanas no Bahrein e no Kuwait, derrubando um drone MQ-9 Reaper. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, lamentou o aumento da tensão, enquanto a OTAN, através de seu secretário-geral Mark Rutte, expressou solidariedade aos EUA, considerando a reação americana como “absolutamente necessária”.
Irã reage com desafio e acusa EUA de “regime renegado”
A chancelaria iraniana afirmou que o acordo com os Estados Unidos não está mais em vigor e culpou o “regime renegado americano” pelas “perigosas consequências” da escalada. O Irã também se queixou dos ataques, das ações de Israel no Líbano e da revogação da licença temporária para a venda de petróleo iraniano pelos EUA. O principal negociador iraniano, Mohammad Baghaer Ghalibaf, declarou em uma publicação no X que “a era de intimidação e extorsão acabou” e que o país “não vai ceder”.
Trump mantém tom ambíguo, mas declara acordo “perdido”
Apesar de declarar o acordo “acabado”, Donald Trump, ao lado de Mark Rutte em Ancara, Turquia, durante a cúpula da OTAN, admitiu que ainda pode haver negociações. “Até onde sei, é só uma perda de tempo lidar com eles [iranianos]. Eles são mentirosos, há algo errado com eles. Eles são loucos. Até onde sei, acabou [o acordo]”, disse Trump. Contudo, acrescentou: “Eu vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar, são boas pessoas, [os enviados americanos] Steve Witkoff, Jared Kushner, mas eles têm de falar comigo”.
Mercados reagem à escalada de tensões no Oriente Médio
A retomada das hostilidades entre EUA e Irã gerou forte reação nos mercados financeiros. O preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, subiu 5%. Paralelamente, as Bolsas de Valores na Ásia e na Europa registraram quedas expressivas, refletindo a incerteza e o aumento do risco geopolítico na região do Golfo Pérsico.
Histórico de conflitos e a trégua quebrada
A escalada atual ocorre após um período de cinco semanas de guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que terminou em fevereiro. O acordo de cessar-fogo buscava estabilizar a região e garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz. A quebra da trégua, com os ataques a petroleiros, e a subsequente resposta americana, reacenderam os receios de um conflito mais amplo no Oriente Médio, com potenciais impactos globais.





