Derrota de Viktor Orbán na Hungria evidencia ‘azar’ de Trump em eleições globais, com América Latina como contraponto
A recente derrota do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, em eleição realizada neste domingo (12), reforça um padrão observado em pleitos internacionais desde 2025: candidatos e partidos alinhados a Donald Trump têm acumulado mais perdas do que vitórias. Essa tendência, no entanto, não se aplica à América Latina, onde o cenário tem sido favorável aos movimentos trumpistas.
Desde que assumiu a presidência em janeiro de 2025, Trump viu seus aliados perderem em países como Canadá, Austrália, Romênia e, agora, Hungria. A exceção notável vem da América Latina, onde vitórias foram registradas na Argentina, Chile, Honduras e Bolívia. O único candidato apoiado diretamente por Trump que obteve sucesso em outro continente foi Karol Nawrocki, atual presidente da Polônia, em agosto do ano passado.
A vitória expressiva do partido Tisza, liderado por Péter Magyar, na Hungria, levanta questionamentos sobre a eficácia das tentativas de Trump de influenciar eleições estrangeiras, uma marca de sua política externa. Apesar das pesquisas indicarem um desempenho fraco para Orbán, Trump mobilizou esforços, incluindo a visita de seu vice-presidente, J.D. Vance, ao país, transmitindo apoio fervoroso ao aliado. Conforme divulgado em reportagem, Magyar reagiu à interferência declarando: “Nenhum país estrangeiro pode interferir nas eleições húngaras. Este é o nosso país”.
Aliados de Trump sofrem reveses em democracias ocidentais
No Canadá e na Austrália, por exemplo, candidatos que pareciam favoritos e alinhados ao ideário trumpista acabaram derrotados por forças centristas. No Canadá, o Partido Liberal se fortaleceu após Trump iniciar uma guerra comercial e fazer ameaças ao país, resultando na eleição de Mark Carney como primeiro-ministro. Já na Austrália, o candidato associado ao movimento “Maga” (Make America Great Again), Peter Dutton, perdeu para o Partido Trabalhista.
Romênia e Polônia: Vitórias e derrotas sob influência trumpista
A Romênia também presenciou uma derrota para um candidato alinhado ao trumpismo. Em maio de 2025, o centrista Nicușor Dan venceu George Simion, que era considerado favorito. Simion chegou a contestar o resultado judicialmente, mas seu recurso foi negado. Em contrapartida, a Polônia apresentou um cenário diferente, com a vitória do conservador Karol Nawrocki, que contou com apoio explícito de Trump e até mesmo com a participação de Kristi Noem, então secretária de Segurança Interna dos EUA, em discursos de campanha.
América Latina: O contraponto onde o ‘toque de Trump’ tem sido vitorioso
O cenário latino-americano se destaca como um ponto fora da curva no histórico recente de Trump. Em Honduras, no final do ano passado, o candidato de ultradireita Nasry “Tito” Asfura, apoiado por Trump, saiu vitorioso. A ex-presidente Xiomara Castro chegou a denunciar um “golpe eleitoral” devido à alegada “interferência do presidente dos Estados Unidos”.
Na Argentina, a eleição legislativa do ano passado viu Trump condicionar um pacote de ajuda financeira de US$ 20 bilhões ao bom desempenho do partido de Javier Milei, o que se concretizou. O Brasil e o Peru se preparam para serem os próximos testes da chamada “Doutrina Monroe” na região, com eleições em outubro e um possível segundo turno em junho, respectivamente. A Colômbia também terá seu pleito em 31 de maio.
Análise da interferência eleitoral e seus limites
A derrota de Orbán na Hungria, apesar dos esforços de Trump, sugere que fatores internos, como a economia e a corrupção, tiveram maior peso na decisão do eleitorado. Analistas apontam que, embora a retórica sobre soberania e interferência externa tenha sido utilizada por Magyar, ela não foi o fator determinante para a vitória de seu partido. O eleitorado húngaro parece ter priorizado a insatisfação com a gestão econômica e os escândalos de corrupção, superando o apelo do aliado trumpista.





