Xi Jinping critica “remilitarização” do Japão em cúpula com Trump, gerando tensão
O líder chinês, Xi Jinping, protagonizou um momento de alta tensão durante uma cúpula com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao fazer um discurso acalorado contra o que chamou de “remilitarização” do Japão. A repreensão direcionada à então primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, surpreendeu as autoridades americanas, pois o tema não estava na pauta oficial das conversas.
O embate verbal de Xi Jinping, descrito como exaltado e agitado, foi o ponto mais crítico dos dois dias de reunião. A China tem expressado crescente preocupação com o aumento dos gastos militares do Japão e sua postura de segurança mais assertiva, especialmente em relação a Taiwan.
Em contrapartida, Trump teria argumentado que o Japão necessitava de uma postura de segurança mais forte diante da ameaça crescente da Coreia do Norte. Conforme informações de pessoas familiarizadas com o encontro em Pequim, a China tem intensificado seus ataques verbais e ações concretas contra o Japão desde declarações de Takaichi sobre Taiwan, o que deteriorou as relações bilaterais.
Japão busca autossuficiência em segurança diante das críticas chinesas
Christopher Johnstone, ex-alto funcionário da Casa Branca para o Japão, comentou que a “abordagem cáustica” de Xi Jinping em relação ao Japão, e a tentativa de explorar o desejo de Trump por relações estáveis entre EUA e China, apenas reforçam a busca de Tóquio pela própria autossuficiência em segurança. Ele destacou a “falta de autoconsciência de Xi”, afirmando que suas próprias ações estão acelerando o surgimento de um Japão mais forte.
A retórica anti-Japão da China, segundo Johnstone, não encontra eco além de suas fronteiras. Tóquio, por sua vez, tem fortalecido laços de segurança com parceiros regionais como Austrália, Filipinas e Coreia do Sul, que demonstram maior preocupação com a assertividade chinesa do que com um Japão em processo de “remilitarização”.
China aponta “neomilitarismo” japonês e aumento de gastos militares
O Ministério das Relações Exteriores da China informou que o Japão aumentou seus gastos militares em 9,7% até 2025. O país asiático tem citado a ameaça representada pela China como prioritária em seus relatórios anuais de defesa, descrevendo as atividades militares chinesas como o “maior desafio estratégico”.
Pequim acusa o Japão de deslizar rumo ao “neomilitarismo”, com o orçamento de defesa japonês aumentando por 14 anos consecutivos. A China, por sua vez, aumentou seus próprios gastos com defesa em 7,4% no ano passado, alcançando US$ 336 bilhões, o 31º aumento anual consecutivo, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo. O Japão gastou US$ 62 bilhões.
Preocupações de Tóquio com a aliança EUA-Japão e atrasos em entregas militares
Tóquio também demonstra apreensão quanto ao estado da aliança com os Estados Unidos, especialmente após Trump impor tarifas a aliados e diante de novas preocupações de que a dissuasão militar americana contra a China esteja sendo diluída pela guerra com o Irã. Relatos indicam que os EUA informaram ao Japão sobre sérios atrasos na entrega de 400 mísseis Tomahawk, encomendados por Tóquio para servirem como força de “contra-ataque” contra a China.
As preocupações se estendem ao compromisso de Washington com Taiwan, após Trump ter classificado um pacote recorde de vendas de armas para a ilha, no valor de US$ 14 bilhões, como uma boa “moeda de negociação” com a China. A Casa Branca e o governo japonês não divulgaram detalhes sobre a conversa entre Trump e Takaichi, e as embaixadas chinesa e japonesa se recusaram a comentar o assunto.





