Xi Jinping se prepara para pressionar Donald Trump a interromper o fornecimento de armas dos Estados Unidos a Taiwan durante a cúpula em Pequim. A questão de Taiwan é central para os interesses da China, que considera a ilha parte de seu território.
A relação entre Estados Unidos e Taiwan tem sido marcada por décadas de políticas que apoiam a democracia na ilha, mas sem reconhecê-la formalmente como país independente, para evitar provocar Pequim. Agora, o presidente americano Donald Trump se reunirá com o líder chinês Xi Jinping em uma cúpula de dois dias na capital chinesa, onde Taiwan e, em especial, as vendas de armas americanas, devem ser temas centrais.
Embora Trump e sua equipe tenham declarado que a viagem focará em comércio e investimentos, o governo chinês, através de seu ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, indicou que a questão de Taiwan também será discutida. A China sustenta a reivindicação sobre a ilha, inclusive com a possibilidade de uso da força, enquanto os EUA afirmam que poderiam intervir em sua defesa.
Especialistas apontam que Xi Jinping pode tentar persuadir Trump a se opor à independência de Taiwan, o que seria um revés para o atual presidente da ilha, Lai Ching-te. Tal declaração poderia ser utilizada pela China para alegar apoio americano a Pequim e aumentar a pressão diplomática sobre Taiwan. Conforme informações divulgadas, Lai agradeceu a Trump pelo envio de armas e reiterou que Taipé não cederá à pressão de Pequim.
Xi busca frear o fluxo de armas americanas para a ilha democrática
O principal objetivo de Xi Jinping ao abordar a questão de Taiwan na cúpula com Trump é **persuadir o presidente americano a desacelerar as vendas de armas para a ilha**. Essa estratégia já havia sido sinalizada em uma ligação telefônica em fevereiro, quando Xi pediu cautela a Trump quanto a essas transações. O governo dos EUA aprovou, no final do ano passado, US$ 11 bilhões em vendas de armas para Taiwan, o que gerou forte condenação de Pequim e a realização de exercícios militares próximos à ilha.
Um novo pacote de armas, avaliado em cerca de US$ 14 bilhões, aguarda a aprovação final de Trump, que tem adiado a decisão por meses. Xi reconhece que convencer Trump a reduzir essas vendas é uma aposta arriscada, mas alertou que a China poderá **reduzir a compra de produtos americanos** caso as vendas continuem. No Congresso dos Estados Unidos, tanto o partido Democrata quanto o Republicano apoiam a venda de armas para Taiwan.
Taiwan se prepara e busca apoio internacional para aquisição de armamentos
Em resposta às tensões, o parlamento taiwanês aprovou na semana passada um orçamento especial de US$ 25 bilhões para cobrir os dois grandes pacotes de armas, incluindo aquele que aguarda a decisão de Trump. Um grupo bipartidário de oito senadores americanos enviou uma carta a Trump na sexta-feira (8), pedindo o avanço na aprovação do pacote.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, que acompanhará Trump em Pequim, descartou especulações sobre uma mudança na política dos EUA em relação a Taiwan. Ele afirmou que ambas as partes entendem suas respectivas posições sobre o tema. Taiwan, por sua vez, reitera que sua política em relação à ilha não mudou, segundo Tsai Ming-yen, diretor-geral do Escritório de Segurança Nacional de Taiwan.





