Premiê do Canadá Alerta para Divisão Nacional: Ameaças Externas e Guerra Comercial com os EUA Pressionam União em Meio a Votação sobre Independência de Alberta
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, emitiu um alerta contundente sobre a crescente instabilidade que o país enfrenta. Ele declarou que ameaças externas estão ativamente tentando dividir o Canadá, com o objetivo de enfraquecê-lo. Essa declaração surge em um momento particularmente delicado, às vésperas de uma consulta popular na província de Alberta, que pode dar início a um processo rumo à independência.
Carney enfatizou que o cenário global atual é mais perigoso do que nunca, e que a união interna é fundamental para que o Canadá navegue por essas pressões internacionais. Uma dessas pressões mencionadas é a guerra comercial em andamento com os Estados Unidos, que adiciona uma camada extra de complexidade à já tensa situação política.
As declarações foram feitas durante uma campanha em apoio à permanência de Alberta dentro do Canadá. A consulta popular, marcada para esta segunda-feira, decidirá se os moradores desejam iniciar os procedimentos para um referendo sobre a independência da província, conhecida por suas vastas reservas de petróleo e por fazer fronteira com os EUA. Conforme informação divulgada pelo veículo de comunicação, o primeiro-ministro canadense Mark Carney fez essas afirmações.
Consulta em Alberta: Um Momento Delicado para o Canadá
A decisão de realizar a consulta em Alberta partiu da primeira-ministra provincial, Danielle Smith, que a anunciou em maio. Ela expressou que era o momento de ouvir a vontade dos habitantes da província. A iniciativa ganhou força após a mobilização de um grupo de separatistas que argumenta que a riqueza energética de Alberta sustenta regiões menos prósperas do Canadá, e que a burocracia federal prejudica a economia provincial.
Embora as pesquisas de opinião indiquem que cerca de 70% da população de Alberta prefere permanecer no Canadá, um quarto dos eleitores (25%) apoia a ideia de um Estado independente. O premiê Carney, no entanto, pede cautela e que os apoiadores da união nacional não relaxem. Ele considera o momento da consulta como o “pior momento” para o país, dada a falta de solução para o conflito comercial com os Estados Unidos, o principal parceiro comercial do Canadá.
Guerra Comercial e Influência dos EUA no Cenário Canadense
Carney alertou que um voto pela separação seria um “blefe perigoso que levaria a anos de grande incerteza”. Ele reforçou a importância do voto, afirmando: “Votem como se o Canadá dependesse disso, porque depende.” A relação com os Estados Unidos tem sido marcada por tensões, especialmente durante o governo de Donald Trump, que impôs tarifas sobre produtos canadenses e chegou a sugerir a incorporação do Canadá aos EUA.
Alberta desempenha um papel crucial na economia canadense devido às suas reservas de petróleo, um pilar na estratégia de Carney para reduzir a dependência comercial dos EUA. O governo canadense anunciou a aceleração da construção de um novo oleoduto para aumentar as exportações de petróleo para a Ásia. Paralelamente, os separatistas criticam as regulamentações ambientais federais, alegando que elas sufocam a indústria petrolífera da província.
Histórico de Consultas e o Futuro do Canadá
O Canadá já presenciou consultas sobre separação de províncias anteriormente, notavelmente em Quebec, que realizou dois referendos em 1980 e 1995, com ambos resultando na permanência na federação, embora a margem tenha sido apertada em 1995. Recentemente, o movimento separatista tem ganhado força em outras regiões, como evidenciado pela vitória do Partido Quebequense, favorável à independência, em uma eleição provincial.
A votação em Alberta também abordará outros temas relevantes, como imigração, educação e saúde, além de exigências de identificação de eleitores, uma questão também em debate nos Estados Unidos. Mesmo que a maioria vote a favor do início do processo de separação, Alberta não deixará o Canadá imediatamente. A primeira-ministra provincial afirmou que, nesse cenário, respeitará o resultado e iniciará os procedimentos para um referendo juridicamente vinculante.
No entanto, o processo de separação enfrenta questionamentos jurídicos. A Lei da Clareza, aprovada pelo Parlamento canadense em 2000, estabelece que negociações sobre separação só podem começar com uma maioria clara e que nenhuma província tem o direito de se separar unilateralmente. Uma eventual secessão exigiria uma emenda constitucional negociada entre os governos federal e provinciais, um caminho ainda não trilhado por Alberta.
A possível influência dos Estados Unidos no movimento separatista de Alberta é monitorada de perto pelo governo canadense. Apesar de um representante do Tesouro americano ter chamado Alberta de “parceiro natural” de Washington, o líder da organização separatista Alberta Prosperity Project nega qualquer influência dos interesses americanos no movimento.





