Ruban Barra, o gênio por trás de “Dancin’ Days” e “Cinderela”, morre aos 76 anos no Rio de Janeiro
O cenário musical brasileiro está de luto com a partida de Ruban Barra, nome artístico de Rubens de Queiroz Barra, que faleceu nos primeiros minutos desta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, aos 76 anos.
A notícia foi comunicada através do perfil oficial do artista, que lutava contra complicações de uma doença diagnosticada em 2024, mantida em sigilo. Ruban Barra estava internado em estado grave no Rio de Janeiro.
Ruban Barra deixa um legado riquíssimo, tanto como compositor quanto como intérprete, com obras que atravessaram décadas e continuam a embalar o público. Conforme informação divulgada no perfil oficial do artista, sua morte entristeceu fãs e colegas de profissão.
O hit que marcou uma geração: “Cinderela”
Em 1986, há exatos 40 anos, Ruban Barra gravou em estúdio a canção “Cinderela”, composição sua em parceria com Patricya Travassos. A música, lançada no álbum “Vitrine”, tornou-se o maior sucesso do artista como cantor, ecoando até hoje na memória afetiva de muitos.
A canção “Cinderela” se consolidou como um dos maiores hits de Ruban Barra como intérprete, demonstrando seu talento multifacetado no universo da música brasileira. Sua voz deu vida a uma melodia que conquistou o país.
“Dancin’ Days”: o hino da era disco
Mas é como compositor que Ruban Barra imortalizou seu nome com “Dancin’ Days”, parceria com Nelson Motta de 1978. A música ganhou projeção nacional ao se tornar o tema de abertura da novela homônima da TV Globo, exibida entre julho de 1978 e janeiro de 1979.
Nelson Motta relembrou em suas redes sociais a criação da canção, descrevendo-a como um processo fluido e inspirador. “Fizemos em menos de uma hora, entre uíísque, tecos e gargalhadas. Aos poucos, ele foi criando a melodia, que parecia vir pronta de sei lá onde. Tudo vindo fácil, a introdução ultra suingada, e eu ia escrevendo a letra. Foi a música mais fácil da minha vida”, relatou Motta.
“Dancin’ Days” se tornou um verdadeiro hino nacional da era das discotecas, atravessando gerações e recebendo diversas regravações. Destaque para a versão de Lulu Santos, lançada há 30 anos no álbum “Anticiclone tropical” (1996).
Outros sucessos e o início da carreira
Além de “Dancin’ Days”, Ruban Barra emplacou outros sucessos como compositor, incluindo “Eu sou free”, parceria com Patricya Travassos, gravada pelo grupo Sempre Livre em 1983. As Frenéticas, que popularizaram “Dancin’ Days”, também gravaram “Lesma lerda”, composição de Ruban com Renan Soares, em 1978.
A década de 1980 foi marcada pelo lançamento de singles como “Rebola bola” (1982) e “Vem nessa” (1983), que precederam a consagração de “Cinderela”. No entanto, a trajetória de Ruban Barra começou bem antes.
Adotando o nome artístico de Rubinho, ele gravou em 1972, ao lado de Mauro Assumpção, o álbum “Perfeitamente, justamente quando cheguei”. Este trabalho, com forte tom folk psicodélico, tornou-se cultuado décadas depois, especialmente na Europa e no Brasil, ajudando a perpetuar a memória do artista que agora nos deixa.
O legado de Ruban Barra
Ruban Barra foi um artista completo, atuando como cantor, compositor, instrumentista e produtor musical. Nascido em Valença (RJ), sua obra reflete a efervescência cultural brasileira, especialmente entre as décadas de 1970 e 1980.
Sua partida aos 76 anos representa uma perda significativa para a música brasileira, mas suas canções continuarão a ressoar, celebrando a vida e a criatividade de um artista que soube como poucos traduzir a alma de seu tempo em melodias inesquecíveis.




