Mercado reage com apreensão à eleição de Lula, aponta The Economist
A revista britânica The Economist sinalizou que o mercado financeiro tem motivos para sua apreensão após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. A publicação, considerada uma referência econômica global, endossou a reação negativa observada nos mercados, destacando a pressão sobre Lula para evitar uma recessão e o risco de suas políticas atuais levarem a resultados desastrosos.
Enquanto apoiadores de Lula celebram a eleição, investidores demonstram temor, com fuga de capitais do Brasil. A moeda brasileira sofreu uma forte desvalorização frente ao dólar no dia seguinte ao resultado, registrando a pior queda diária em mais de 25 anos. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também apresentou recuo expressivo, acionando mecanismos de interrupção de pregão.
A The Economist ressalta que, para que Lula alcance seus objetivos de melhorar a vida dos brasileiros, evitar crises e consolidar seu legado, seus próximos quatro anos de mandato precisam ser significativamente diferentes dos anteriores. Para isso, é fundamental que ele convença os investidores sobre sua intenção de mudar o rumo das políticas econômicas. A informação foi divulgada pela revista.
Aposta frustrada do mercado e o peso da dívida pública
O mercado financeiro, segundo a The Economist, apostava na vitória do então presidente Jair Bolsonaro, pois demonstrava maior confiança em sua gestão. A publicação explica que os gastos públicos elevados nos últimos anos, inclusive durante o governo anterior do PT, elevaram a taxa real de juros a patamares preocupantes. Isso resulta em uma parcela significativa do PIB sendo destinada ao pagamento de juros da dívida pública, superando a maioria das outras nações.
Essa situação, de acordo com a revista, impacta negativamente os investimentos, pressiona empresas e famílias e limita o crescimento econômico do país. Apesar da vasta riqueza em recursos naturais, como petróleo, terras agrícolas e minerais, o Brasil tem apresentado um crescimento mais lento que seus pares internacionais há décadas.
Corte de gastos é crucial para a retomada, segundo a revista
A The Economist enfatiza que o corte de gastos é fundamental para que a economia brasileira “volte a funcionar”. A gestão petista enfrenta um déficit orçamentário superior a 9% do PIB, e projeções do FMI indicam que a dívida pública pode atingir 97% do PIB em 2026, um aumento considerável em relação a 2022.
O discurso de campanha de Lula, no entanto, não priorizou a disciplina fiscal, tendo prometido novos subsídios e benefícios sociais. As novas políticas sociais apresentadas pelo presidente eleito podem custar cerca de 2% do PIB até 2027, segundo cálculos da publicação.
Nomeação para Fazenda e reforma fiscal: os próximos desafios
Para a The Economist, o presidente eleito precisa demonstrar a mesma energia utilizada na campanha para indicar um nome de confiança para o Ministério da Fazenda e, em seguida, apresentar um plano factível de reforma fiscal. Ambas as decisões são consideradas de alta complexidade.
A revista conclui que, caso Lula interprete sua vitória como um sinal para intensificar políticas que já se mostraram problemáticas, ele poderá desencadear uma crise fiscal e uma recessão profunda, transformando o que parecia uma vitória gloriosa em “cinzas”.
Gleisi Hoffmann critica “ofensiva terrorista” sobre política fiscal
Em contrapartida à análise da The Economist, a deputada federal Gleisi Hoffmann criticou o que chamou de “ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”. Em uma publicação recente, ela reproduziu um trecho do economista André Lara Resende, que acusa o Banco Central de manter juros altos e a imprensa de focar nos gastos primários em vez dos juros como principal problema econômico.
Resende também aponta que analistas do mercado financeiro estariam confundindo os interesses de investidores com a racionalidade econômica, sugerindo que a causa dos problemas fiscais reside nos juros e não nos gastos públicos primários, como amplamente divulgado. Essa divergência de opiniões evidencia o debate acirrado sobre os rumos da política econômica no Brasil.





