França se prepara para protestos com forte aparato de segurança, enquanto denúncias de violência policial contra jornalistas aumentam.
O governo francês anunciou uma mobilização sem precedentes de 70 mil policiais e agentes de segurança em todo o país para o próximo sábado (7). A medida visa conter possíveis distúrbios durante uma nova onda de manifestações convocadas por sindicatos, estudantes e o movimento dos Coletes Amarelos.
As manifestações, que já completam seis semanas, refletem o descontentamento popular com o custo de vida e reivindicações sociais. O governo busca manter a ordem, mas a preocupação com confrontos e atos de vandalismo é evidente, especialmente com a circulação de convocações para atos sem organizadores claramente identificados nas redes sociais.
A Agência France-Presse (AFP) também se pronunciou, denunciando a violência cometida por forças de segurança contra jornalistas que cobriam os protestos. Profissionais foram atingidos por cassetetes e balas de borracha, mesmo identificados, gerando um clima de apreensão para a cobertura jornalística.
Reforço na Segurança e Preocupações com a Violência
Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, a mobilização de 70 mil agentes, incluindo veículos blindados e lançadores de água, visa garantir a segurança em meio a apelos por violência detectados nas redes sociais. O governo proibiu manifestações em centros urbanos e reforçou controles em rodovias e estações.
A decisão de reforçar a segurança ocorre após semanas de episódios violentos, incluindo saques e confrontos. Na quinta-feira (5), manifestações reuniram centenas de milhares de pessoas, com 642 detidos em todo o país, segundo Nuñez. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou que receberá representantes de estudantes na próxima segunda-feira (9) para discutir as reivindicações.
Denúncias de Agressões a Jornalistas Ganham Força
A direção da Agência France-Presse (AFP) relatou que vários de seus profissionais foram agredidos por policiais durante a cobertura das manifestações. Um fotógrafo sofreu fratura na fíbula após ser atingido por cassetetes em Paris, e outro jornalista foi ferido por bala de borracha em Lille.
A AFP destacou a importância da integridade física dos jornalistas e o direito de observar e registrar eventos, mesmo em condições difíceis. A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) contabilizou 58 casos de impedimento ou violência contra jornalistas, com 21 casos de violência física atribuídos a agentes de segurança.
Medidas do Governo e Diálogo com Estudantes
Em resposta às reivindicações estudantis, o governo anunciou medidas como a criação de vagas para professores, o cancelamento de cortes de postos e a limitação de 28 alunos por turma. Há também a revisão do sistema de avaliação do “baccalauréat” e a abertura de 15 mil novas vagas no ensino superior.
O encontro entre o primeiro-ministro e representantes estudantis na próxima segunda-feira é visto como um passo importante para buscar soluções e acalmar os ânimos. A situação na França continua tensa, com a segurança pública e a liberdade de imprensa em foco.





