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Maria Bethânia celebra 60 anos de carreira com álbum ao vivo emocionante e capa icônica de Flávio Império

Maria Bethânia lança álbum “60 anos de carreira” com 46 faixas e capa deslumbrante

A voz inconfundível de Maria Bethânia ecoa em um novo marco fonográfico. Ontem, sexta-feira, 6 de novembro, foi lançado o álbum “60 anos de carreira”, um registro ao vivo do espetáculo que celebra seis décadas de uma trajetória ímpar na música brasileira. Composto por 46 músicas e 38 faixas que entrelaçam textos e canções, o álbum captura a energia de duas apresentações da turnê no Rio de Janeiro, em janeiro, na casa Vivo Rio.

A gravação, especialmente a do dia 18 de janeiro, contou com o público na pista, intensificando a atmosfera vibrante e o calor da plateia. Este lançamento representa o primeiro álbum de Maria Bethânia em cinco anos, sucedendo “Noturno” (2021) e quebrando um longo intervalo sem novidades discográficas desde o início de sua carreira em 1965. Diante das transformações do mercado, a cantora sinaliza uma tendência por lançamentos de singles avulsos, tornando este álbum uma peça ainda mais especial.

Conforme divulgado, a capa do álbum “60 anos de carreira” é uma obra de arte à altura do legado de Maria Bethânia. Ela estampa a pintura “A descida do Corcovado ou Ogum”, de 1972, do artista plástico Flávio Império. Embora a obra já tenha sido utilizada na capa do single “Vera Cruz” em 2016, sua presença aqui dialoga profundamente com o show e adiciona um peso visual significativo, especialmente considerando a possibilidade de uma futura edição em LP, que exigiria um formato duplo ou triplo para acomodar os 83 minutos de duração.

Edição em CD duplo e a sonoridade do show

Enquanto a edição em LP segue como uma possibilidade incerta, a gravadora Biscoito Fino confirmou o lançamento do álbum em CD duplo. A previsão é que esta edição física esteja disponível para compra ainda em 2026, tanto no site da gravadora quanto em lojas. A captação do show, segundo as informações, resultou em um som caloroso, que destaca a rica mistura de sopros e percussões característica do espetáculo. Pedro Guedes e Thiago Gomes assinam a produção musical, e a voz de Bethânia soa notavelmente fiel à performance ao vivo, com retoques mínimos e sutis na pós-produção.

Repertório inédito e homenagens emocionantes

O álbum “60 anos de carreira” eterniza quatro músicas inéditas apresentadas na turnê: o samba “Balangandã” (Paulo Dâfilin e Roque Ferreira), a canção “Palavras de Rita” (Rita Lee e Roberto de Carvalho), o fado “Se não te vejo” (Pedro Abrunhosa) e o samba “Vera Cruz” (Xande de Pilares e Paulo César Pinheiro). Vale notar que “Vera Cruz” já havia sido gravada por Bethânia em single. Infelizmente, a inédita “Eu mais ela” (Chico César) ficou de fora do roteiro e da gravação.

Um dos momentos de maior intensidade do show, e agora presente no álbum, é a canção “Mares da Espanha” (1979), de Angela Ro Ro. Bethânia dedicou esta interpretação a Angela Ro Ro, que faleceu em setembro, dois dias após a estreia da turnê. A música, junto com “Gota de sangue” (1979) – também de Angela Ro Ro e já gravada por Bethânia em “Mel” (1979) –, tornou-se um símbolo de homenagem póstuma à compositora. A interpretação de “Mares da Espanha” é consistentemente apontada como um dos pontos altos da apresentação.

Textos e a arte que celebra a trajetória

Apenas um texto, “Eu não quero apenas ter visitado este mundo”, de Dora Fischer Smith, que era declamado entre “A força que nunca seca” e “Rosa dos ventos”, ficou de fora da edição final do álbum. A arte da capa, com a obra de Flávio Império, é um elemento crucial, evocando a longa e rica história de Maria Bethânia na música. A pintura, que já adornou um single anterior da artista, reforça a conexão entre seu trabalho visual e sua trajetória musical, prometendo se valorizar ainda mais em futuras edições físicas.

Uma noite que levou 60 anos para ser construída

O texto de Eucanaã Ferraz, utilizado para apresentar o álbum à mídia, resume a essência do projeto: “Este álbum se passa numa só noite. Levou 60 anos para ser feito. É festa”. Essa frase encapsula a magnitude do trabalho de Maria Bethânia, um espetáculo que reflete a dedicação e a paixão de seis décadas dedicadas à arte, culminando neste lançamento que celebra sua carreira de forma grandiosa e emocionante.

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