Marina Lima celebra 70 anos em show que reafirma sua assinatura autoral moderna, entre sucessos e o controverso “Ópera Grunkie”.
A cantora Marina Lima comemorou seus 70 anos em uma apresentação memorável no Rio de Janeiro, validando a força de sua obra autoral ao misturar hits consagrados com canções do recente e polêmico álbum “Ópera Grunkie”. O espetáculo, que estreou em Porto Alegre e passou pelo Rio com plateia ilustre, incluindo Caetano Veloso e Ney Matogrosso, demonstrou a vitalidade de uma artista que se reinventa constantemente.
O show “Marina Lima 70” não evitou as músicas do 18º álbum de estúdio, “Ópera Grunkie” (2026), que gerou controvérsias online. Apesar de não serem o foco principal, faixas como “Só que não”, “Olívia” e “Samba pra diversidade” marcaram presença, algumas perdendo um pouco de seu impacto fora do contexto original, mas outras, como “Meu poeta”, ressaltando o luto pela perda do irmão e letrista Antonio Cicero.
Conforme divulgado, o espetáculo é uma afirmação da singularidade de Marina Lima, compositora e instrumentista que se impôs em um universo historicamente masculino. A artista abriu o show tocando guitarra na música “Pra começar” (1986), remetendo à sua icônica imagem no primeiro álbum “Simples como fogo” (1979), sinalizando 50 anos de coerência e modernidade desde seu início como compositora em 1976.
A Força da Assinatura Autoral de Marina Lima
Marina Lima, aos 70 anos, exibiu uma sensualidade natural e trocou de figurinos ao longo dos 90 minutos de apresentação. A artista, que ousou ao abordar o sexo explicitamente no pop brasileiro dos anos 80, mostrou que sua linguagem continua atual e envolvente. A presença da bailarina e coreógrafa Carol Rangel em cena adicionou um toque especial.
Embora as canções de “Ópera Grunkie” tenham, em parte, sucumbido diante do repertório mais conhecido de Marina, a disparidade foi diluída pela direção de Candé Salles e pela força do conjunto da obra. A plateia, inicialmente mais fria com as novidades, reagiu calorosamente aos sucessos que marcaram gerações.
Surpresas e Releituras que Encantam
A maestria de Marina Lima ao conduzir a banda, formada por músicos experientes, resultou em arranjos que mesclaram passado e presente de forma brilhante. A artista demonstrou uma autoridade que a faz parecer dona de canções alheias, como “À francesa” (Claudio Zoli e Antonio Cicero) e “Pessoa” (Dalto e Claudio Rabello), que ela reinterpretou com personalidade.
O show presenteou o público com surpresas como a irresistível “Quem sabe isso quer dizer amor” (Lô Borges e Marcio Borges), inédita na voz de Marina, e um contagiante funk de Lulu Santos, “Condição” (1986). A conexão sagaz entre “Condição” e “Criança” (1991), composição da própria Marina, evidenciou a inteligência de seu roteiro.
Um Bis Catártico e Homenagem a Alvin L
Para a alegria dos fãs, o bis foi um momento catártico, com a sequência de hits “Nada por mim” (Herbert Vianna e Paula Toller), “Nem luxo nem lixo” (Rita Lee e Antonio Cicero) e “Uma noite e 1/2” (Renato Rocket). O encerramento, em anticlímax, foi com a emocionante balada “Não sei dançar” (1991), de Alvin L, compositor que Marina homenageou, ressaltando sua parceria a partir de 1993.
A estreia carioca do show “Marina Lima 70” confirmou a artista como uma força antenada e em constante movimento. Marina Lima, entre perdas e ganhos inerentes a uma carreira tão sólida, provou que sua máquina de sucessos atemporais continua funcionando a todo vapor, celebrando sua obra com a mesma modernidade que a consagrou.




