RE/MAX é vendida por US$ 880 milhões para a Real Brokerage, formando o Real RE/MAX Group
Um movimento significativo abala o mercado imobiliário global: a RE/MAX Holdings foi adquirida pela Real Brokerage por US$ 880 milhões (aproximadamente R$ 4,4 bilhões). A transação, anunciada em 27 de abril, visa a criação do Real RE/MAX Group, que se posiciona como um dos maiores conglomerados imobiliários do mundo, com uma receita anual estimada em US$ 2,3 bilhões. A operação ainda aguarda aprovação regulatória nos Estados Unidos.
Para o mercado brasileiro, a notícia gera curiosidade sobre os impactos. Em entrevista exclusiva, Peixoto Accyoli, CEO da RE/MAX Brasil, esclarece que o cenário para o país não é de mudança drástica, mas sim de uma aceleração. Ele destaca a força da operação brasileira, que já figura como a terceira maior do mundo para a RE/MAX, atrás apenas dos Estados Unidos e Canadá, e entre as cinco maiores em faturamento global.
A aquisição une a capilaridade global da RE/MAX, com 145 mil agentes em mais de 120 países, à expertise tecnológica da Real Brokerage, conhecida pela plataforma reZEN que utiliza inteligência artificial para automatizar transações e integrar serviços financeiros. A transação também representa um alívio financeiro para a RE/MAX Holdings, que enfrentava pressões após uma decisão judicial nos EUA em agosto de 2024 que alterou a relação jurídica entre corretores e clientes.
Tamir Poleg, atual CEO da Real Brokerage, assumirá como presidente do conselho e CEO do novo grupo. Erik Carlson, CEO da RE/MAX Holdings, deixará o cargo, assim como o cofundador Dave Liniger. A estrutura do novo conselho administrativo contará com dez integrantes, com três vindos do atual conselho da RE/MAX.
O que muda para franqueados e corretores da RE/MAX no Brasil
A resposta imediata para franqueados e corretores da RE/MAX no Brasil é: nada, no curto prazo. Peixoto Accyoli afirma que a operação brasileira é juridicamente e financeiramente independente, com a razão social oficial sendo MXSA (MX Brasil Gestora de Sistema Nacional de Franquias S.A.). A mudança de nome global não altera as regras locais, e a aprovação regulatória nos EUA ainda é um passo necessário.
A médio prazo, Accyoli prevê impactos tecnológicos, mas ressalta que eles ocorrerão após a consolidação das inovações nos mercados americano e canadense. Estas inovações, então, serão disseminadas globalmente. Ele enfatiza que a palavra-chave é ‘aceleração’, e não ‘mudança’.
“A palavra não é ‘mudar’, é ‘acelerar’. Tecnologia é algo extremamente estratégico e hoje vamos estar bebendo da fonte de uma empresa que está entre as cinco que mais faturam em tecnologia na América”, declarou Accyoli.
Fusões e aquisições: um movimento estratégico no mercado imobiliário
Peixoto Accyoli já antecipava essa tendência de consolidação no mercado imobiliário. Há cerca de um ano, ele vinha palestrando sobre a ‘Nova Regra do Jogo Imobiliário’, abordando fusões, aquisições e a entrada de novas operações. Ele observa que o mercado americano já tem visto movimentos como a compra da NWR pela Compass e da Redfin pela Rocket, confirmando a tese de que empresas de tecnologia e do setor financeiro estão cada vez mais atuantes no mercado imobiliário tradicional.
A notícia da aquisição pela The Real Brokerage, embora o player específico fosse uma novidade para muitos, se encaixa nesse cenário de inevitável junção que ele já previa. A proximidade com a RE/MAX Global permitiu que Accyoli fosse informado logo após o anúncio oficial, participando de calls para entender a repercussão e os próximos passos. Sua percepção inicial foi extremamente positiva.
Saúde financeira e projeções da RE/MAX Brasil
Em contraste com o mercado americano, a RE/MAX Brasil apresenta uma saúde financeira robusta. No ano passado, a operação brasileira transacionou R$ 14,3 bilhões e gerou R$ 649 milhões em comissões, com um Ebitda de 37% e endividamento zero. A única pendência é referente ao ISS, uma questão que afetou o setor de franchising no Brasil há três anos.
As projeções para 2026 são otimistas, com uma expectativa de crescimento entre 12% e 15% em relação a 2025, tanto em volume transacionado quanto em comissões. Um ponto forte destacado é que 60% das transações no Brasil são realizadas em parceria, evidenciando a força do modelo de rede.
Tecnologia e o futuro da RE/MAX Brasil
A RE/MAX Brasil já possui uma forte conexão com o mercado de tecnologia, através da Balloon Lab, que fomenta startups dentro da companhia. A empresa utiliza tecnologias de mercado interessantes, mas a plataforma proprietária da Real Brokerage representa um salto em termos de inteligência artificial e automação de transações. O objetivo é integrar essas inovações para potencializar os serviços oferecidos.
O mercado imobiliário brasileiro pode esperar acesso a inovações fundamentais, que prometem unir o atendimento humano de alta performance com a tecnologia de ponta. A aquisição é vista com entusiasmo, como um caminho para fortalecer ainda mais a posição da RE/MAX no Brasil.
Perguntas Frequentes sobre a aquisição da RE/MAX pela Real Brokerage
Quanto valeu a aquisição da RE/MAX pela Real Brokerage? A Real Brokerage adquiriu a RE/MAX Holdings por US$ 880 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 4,4 bilhões. A transação ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores americanos.
O que é a Real Brokerage? A Real Brokerage é uma empresa canadense de tecnologia imobiliária, conhecida pela plataforma proprietária reZEN, que utiliza inteligência artificial para automatizar transações e integrar serviços financeiros. É uma das cinco empresas que mais faturam em tecnologia na América do Norte.
O que muda para os corretores e franqueados da RE/MAX no Brasil? No curto prazo, nada muda. A operação brasileira é juridicamente e financeiramente independente. Possíveis mudanças tecnológicas só chegarão ao Brasil após serem consolidadas primeiro nos mercados americano e canadense.
A RE/MAX vai mudar de nome no Brasil? Não. Segundo o CEO da RE/MAX Brasil, Peixoto Accyoli, não há planos de rebrand. A RE/MAX continuará como RE/MAX e a Real seguirá como marca própria dentro do novo grupo.
Qual é a posição da RE/MAX Brasil no ranking global da rede? O Brasil é a terceira maior operação da RE/MAX no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Canadá. Em faturamento, o país figura entre as cinco maiores operações globais da rede.





