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Shakira no Brasil: De shows a R$ 5 em Uberlândia à jurada da Banheira do Gugu antes de Copacabana

Shakira no Brasil: A trajetória de uma estrela antes do show gratuito em Copacabana

Antes de se apresentar gratuitamente na icônica praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Shakira trilhou um caminho surpreendente no Brasil. Sua jornada inclui shows com ingressos a preços populares e participações inusitadas em programas de TV, uma realidade bem diferente dos valores atuais de seus espetáculos.

Enquanto o show em Copacabana é um presente para os fãs, as apresentações tradicionais de Shakira hoje custam até mil reais, com ingressos para grandes arenas e estádios. Essa discrepância pode surpreender os fãs de longa data, que acompanharam o início da carreira da artista no mercado nacional em 1997.

Naquela época, a cantora colombiana chegou a realizar shows com ingressos custando apenas R$ 5, o equivalente a R$ 43 nos dias de hoje. Essas informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, que publicou reportagens sobre as apresentações da cantora em seu acervo. A estratégia da Sony Music para impulsionar Shakira no Brasil foi ousada e multifacetada, envolvendo investimento financeiro significativo e uma intensa campanha de marketing.

Shows acessíveis e o início da fama no Brasil

Um anúncio de show em Uberlândia, Minas Gerais, em 1997, com ingressos a R$ 5, viralizou nas redes sociais. Essa apresentação fazia parte da Exposição Agropecuária do Camaru. Naquele ano, Shakira realizou dezenas de shows semelhantes por todo o país, buscando consolidar sua presença no mercado brasileiro.

Em São Paulo, ela se apresentou em locais como o Olympia e o Moinho Santo Antônio, com ingressos a partir de R$ 30. Corrigidos pelo IGP-M, esses valores corresponderiam hoje a cerca de R$ 43 e R$ 257, respectivamente. Na época, esses ingressos representavam uma parcela considerável do salário mínimo vigente, algo que mudou drasticamente com a evolução do mercado musical e o custo dos shows de artistas globais.

Shakira na TV: A “Banheira do Gugu” e o aprendizado do português

A estratégia para conquistar o público brasileiro não se limitou aos palcos. Shakira participou de diversos programas de rádio e televisão, mostrando um carisma contagiante e aprendendo a falar português. Em uma participação memorável no Domingo Legal, com Gugu Liberato, a cantora foi convidada a sambar, fazer dança do ventre e até aprender “a dança da bundinha”, em referência ao grupo É o Tchan.

Imagens do arquivo do SBT revelam a espontaneidade da artista, que chegou a ser jurada do quadro “A Banheira do Gugu”. Sua disposição em interagir com o público e os formatos de entretenimento brasileiros foi crucial para sua ascensão. Em outra entrevista, no Programa Livre, de Serginho Groisman, ela respondeu com bom humor a um pedido da plateia para mostrar seus “pies descalzos”, em referência a uma de suas músicas.

Estratégia de marketing e sucesso fonográfico

A Sony Music investiu US$ 2,8 milhões para impulsionar a carreira de Shakira no Brasil. Essa estratégia, aliada ao talento e carisma da artista, resultou na venda de mais de um milhão de discos, um feito notável em um mercado competitivo como o brasileiro. Luiz Calainho, na época diretor de marketing da Sony Music, detalha o sucesso da operação.

Uma parceria com a rádio Jovem Pan foi fundamental, com a emissora se tornando “sócia do produto”. A estratégia previa que cada música de Shakira tocasse de três a quatro vezes por dia. Calainho estima que a rádio ganhou US$ 1 milhão apenas com a venda de discos, que na época custavam cerca de R$ 15 e o real equivalia quase diretamente ao dólar.

O mercado musical e a evolução da carreira de Shakira

Calainho compara o cenário atual com o final dos anos 1990, destacando a mudança na dinâmica do mercado musical. “Vivíamos em outro planeta”, afirma, referindo-se à capacidade de investimento e à rentabilidade estratosférica dos CDs. Hoje, o mercado de streaming domina, com os CDs representando uma parcela ínfima do faturamento da indústria fonográfica.

A disposição dos artistas também mudou. “Há 30 anos, o artista sabia que tinha que ir para a rua, ir à loja, ao programa de TV. A disposição dos mega-artistas agora é outra, e a dinâmica é diferente”, pontua Calainho. Ele ressalta que, na época, Shakira era uma artista “realmente a fim de virar a carreira no Brasil”, demonstrando uma entrega que marcou o início de sua trajetória de sucesso no país.

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