Kone e TK Elevator se Unem para Liderar o Mercado Global de Elevadores em Negócio Histórico de R$ 172 Bilhões
A Kone Oyj anunciou um acordo monumental para adquirir a TK Elevator, antiga divisão da Thyssenkrupp, por 29,4 bilhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 172 bilhões, incluindo dívidas. A transação, que representa uma das maiores saídas de fundos de private equity na Europa e o maior negócio da história da Finlândia, consolida a Kone como líder dominante no setor de elevadores e escadas rolantes.
A nova entidade combinada quase dobrará o valor de mercado da Kone, que atualmente gira em torno de 30 bilhões de euros, catapultando-a à frente de concorrentes como a Otis Worldwide Corp., dos Estados Unidos, e a suíça Schindler Holding AG. A aquisição visa fortalecer a presença da Kone em mercados-chave e impulsionar sua estratégia de serviços e modernização.
Apesar do otimismo, as ações da Kone registraram queda em Helsinque, sinalizando cautela do mercado. A empresa finlandesa já havia demonstrado interesse na TK Elevator anteriormente, mas a negociação anterior em 2020 não se concretizou. Agora, com o acordo fechado, a Kone busca expandir sua atuação global e otimizar suas operações, conforme divulgado pela Bloomberg.
Expansão Geográfica e Estratégica para a Kone
A aquisição da TK Elevator oferecerá à Kone uma maior exposição ao mercado norte-americano, onde a TK Elevator possui uma forte presença em instalação e manutenção. Essa movimentação complementa a posição de liderança da Kone na Ásia, de onde a empresa obtém cerca de 35% de sua receita atual. A sinergia entre as operações visa otimizar a oferta de produtos e serviços em escala global.
Philippe Delorme, presidente e CEO da Kone, destacou que a união acelerará a “mudança estratégica da companhia em direção a serviços e modernização”. A empresa combinada terá sede na Finlândia, empregará mais de 100 mil funcionários em cerca de 100 países e projeta vendas anuais de aproximadamente 20,5 bilhões de euros, consolidando sua posição de liderança no mercado mundial de elevadores.
Desafios Antitruste e a Saída dos Fundos de Private Equity
A transação, embora estratégica, pode enfrentar barreiras regulatórias e antitruste em diversas jurisdições. A Kone pode ser obrigada a vender alguns ativos para obter as aprovações necessárias, um processo que, segundo executivos, pode levar até 18 meses. A empresa demonstrou confiança na obtenção das aprovações, trabalhando de perto com os reguladores.
Para os vendedores, os fundos Advent e Cinven, a venda representa uma saída significativa, especialmente em um momento em que gestoras de private equity buscam repatriar capital para investidores. No entanto, a estrutura do acordo, que inclui uma parcela substancial em ações da Kone, pode prolongar o processo de liquidação completa para os fundos, tornando-os expostos à volatilidade do mercado.
Estrutura do Negócio e Perspectivas Futuras
O acordo prevê um pagamento em dinheiro de 5 bilhões de euros para a Advent e Cinven, com o restante sendo pago em ações da Kone. Essas ações estarão sujeitas a um período de bloqueio de 180 dias antes que possam ser vendidas gradualmente. A Kone já contratou linhas de crédito com o Bank of America e o BNP Paribas para financiar a transação, com planos de refinanciar a dívida para manter um sólido rating de crédito.
A conclusão do negócio está prevista para o segundo trimestre de 2027, sujeita às aprovações regulatórias. A Alat, unidade do fundo soberano saudita Public Investment Fund, que detém uma participação de 15% na TK Elevator, também faz parte do cenário. Analistas da Bloomberg Intelligence apontam que, apesar da forte lógica industrial, a execução do negócio apresenta desafios significativos devido à diluição, aumento da dívida e riscos antitruste, que podem impactar a criação de valor.
Histórico e Liderança da Nova Gigante
A Kone já havia tentado adquirir a TK Elevator em 2020, mas a oferta foi superada pelo grupo liderado pela Advent e Cinven. O controle acionário da Kone permanecerá com o bilionário Antti Herlin, que continuará a deter mais de 50% dos direitos de voto. Philippe Delorme liderará o grupo combinado, que se consolidará como a maior fabricante de elevadores do mundo.





