Shakira em Copacabana: A Popstar Que Traduziu a América Latina para o Pop Global
A cantora colombiana Shakira, conhecida por sua energia contagiante e por mesclar ritmos globais com a alma latina, se apresentou recentemente na icônica Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Este show não foi apenas mais um em sua extensa carreira, mas sim um marco que celebrou sua trajetória de sucesso, marcada pela incorporação de gêneros como cumbia, merengue e vallenato em suas músicas, que frequentemente alcançam o topo das paradas mundiais.
Desde seus primeiros passos na indústria musical, Shakira demonstrou uma habilidade ímpar para absorver e reinterpretar a rica tapeçaria sonora de seu continente. Ela soube transitar entre diferentes fases e apelidos, como o de “Alanis Morissette latina”, até se consolidar como a “loba” que levou a música dançante latina para um público global. O Brasil, em particular, sempre demonstrou um carinho especial pela artista, que retribui com performances memoráveis.
Assim como outras lendas da música pop, Shakira fez história no Rio de Janeiro, unindo seu público fiel a uma celebração da música e da cultura. Conforme informação divulgada pelo g1, a artista, aos 49 anos, apresentou um repertório que, em sua essência, é pop dançante, mas que carrega as marcas inconfundíveis de ritmos como cumbia, vallenato e merengue, com um sotaque colombiano e mexicano que ressoa em cada nota.
O Vallenato: A Alma do Acordeon na Música de Shakira
O vallenato, um dos pilares da sonoridade de Shakira, é um gênero musical originário do Caribe colombiano. Caracterizado pelo uso marcante do acordeão, o vallenato, em suas versões modernizadas, encontra eco nas canções da artista. A influência pode ser percebida em sucessos como “La bicicleta” (2016), em que a percussão e o acordeon remetem a clássicos do estilo, como “La gota fría”, de Emiliano Zuleta. Shakira, em colaboração com seu conterrâneo Carlos Vives, presta uma ode a esse ritmo, mostrando sua relevância em sua obra.
Merengue Dominicano: A Vibração Que Impulsiona a “Loba”
A energia vibrante do merengue dominicano é outro elemento fundamental na identidade musical de Shakira. O ritmo acelerado e contagiante do merengue pode ser claramente ouvido em faixas como “Loca” (2010), que conta com a participação do cantor dominicano El Cata. Essa influência resgata a tradição de compositores como Luis Alberti, que já ditava o ritmo com seu merengue raiz em meados do século XX. Shakira, com seu tom provocativo e divertido, captura a essência leve e dançante do merengue, utilizando expressões que convidam à celebração.
Cumbia Colombiana: O Balanço Que Move “Hips Don’t Lie”
A cumbia colombiana, com sua estrutura melódica envolvente e um balanço irresistível, é a espinha dorsal de alguns dos maiores sucessos de Shakira. O hit global “Hips Don’t Lie” (2006) é um exemplo claro dessa fusão, apresentando uma base rítmica de 100 batidas por minuto que evoca clássicos da cumbia, como “Cumbia sobre el mar”. A influência se estende ao uso de instrumentos como a conga e a presença de um groove marcante no baixo, elementos característicos da cumbia e da salsa.
Mariachi e Música Regional Mexicana: Dramas e Fúria no Início da Carreira
No final dos anos 90, a estética de Shakira foi moldada pela dramaticidade e pela instrumentação do mariachi e da música regional mexicana. Embora essa fase tenha sido predominantemente influenciada pelo pop rock, que lhe rendeu o apelido de “Alanis Morissette latina”, a latinidade ainda se fazia presente. Em “Ciega, Sordomuda” (1998), os trompetes típicos do estilo mexicano e a estrutura da canção remetem a ícones como Pepe Guizar. A versão acústica dessa música, lançada em 2000, intensificou ainda mais essas referências à rica música regional do México.





