A encíclica “Magnifica Humanitas” do Papa Leão 14 sobre Inteligência Artificial e a intrigante ausência de Pentecostes
A recente encíclica “Magnifica Humanitas”, do Papa Leão 14, tem sido amplamente elogiada por sua profundidade e abrangência ao abordar a Inteligência Artificial (IA). O documento, datado de 15 de maio e apresentado em 25 de maio, dialoga com figuras como Santo Agostinho, Tolkien, Beethoven e Martin Luther King Jr., além de explorar a doutrina social da Igreja e criticar o nacionalismo e o pós-humanismo.
Para muitos, incluindo um ateu de esquerda com ressalvas pontuais, o texto oferece poucas razões para discordância, valorizando trabalhadores e condenando o nacionalismo. No entanto, um ponto de reflexão emerge: a ausência de menção à festa de Pentecostes, celebrada entre a data de redação e apresentação da encíclica, tem gerado questionamentos.
Essa omissão, segundo análise, pode ser mais significativa do que aparenta, impactando a forma como a Igreja propõe a abordagem da IA. A fonte sugere que a escolha de Neemias como contraponto à Torre de Babel, em vez de Pentecostes, revela uma perspectiva mais pessimista sobre a capacidade humana de gerir o avanço tecnológico. Conforme divulgado, essa ausência é decisiva para a interpretação do documento. A celebração de Pentecostes, que simboliza a compreensão mútua entre diferentes povos e línguas, é vista como um paralelo poderoso com o potencial da IA para facilitar o diálogo global.
A Torre de Babel e a Reconstrução das Muralhas de Jerusalém
A encíclica inicia com a metáfora da Torre de Babel, um símbolo claro da ambição humana em criar inteligências artificiais. Em contrapartida, o Papa Leão 14 evoca a figura de Neemias, que reconstruiu as muralhas de Jerusalém. Essa escolha convida à reflexão sobre a necessidade de um trabalho paciente e institucional para construir “muralhas” de proteção contra os potenciais perigos da IA, evitando a dispersão e destruição da humanidade.
O autor da análise ressalta que, diferentemente de outras crises existenciais da história, ainda não se observa um esforço internacional significativo para a criação de tratados ou convenções que regulem a IA, algo semelhante ao que ocorreu com os direitos humanos, refugiados ou controle nuclear. Essa falta de um arcabouço legal global é um ponto de preocupação.
Pentecostes: O Verdadeiro Contraponto à Babel?
Ainda que Neemias seja uma figura bíblica relevante, a análise aponta que, em chave teológica, o verdadeiro contraponto à Torre de Babel, especialmente no Novo Testamento, é a história de Pentecostes. Neste evento, os apóstolos, falando em suas próprias línguas, são compreendidos por estrangeiros em seus idiomas nativos. Essa capacidade de comunicação universal e entendimento mútuo é vista como um dos sinais mais evidentes do potencial da IA.
A IA, ao permitir que textos sejam escritos em uma língua e lidos em diversas outras, pode concretizar um potencial de diálogo e interconexão sem precedentes. A perplexidade reside no fato de que essa analogia possa ter escapado ao Papa durante a própria semana de Pentecostes.
A Ausência de Hans Jonas e do Profeta Jonas: Um Sinal de Pessimismo?
A explicação para a ausência de Pentecostes pode residir em outras duas figuras ausentes: os “dois Jonas”. O primeiro é o filósofo Hans Jonas, cujo “princípio da responsabilidade” parece ser sutilmente aludido na encíclica, mas não explicitamente citado. O segundo é o profeta Jonas, que, relutantemente, levou uma mensagem de advertência a Nínive, acabando por salvar a cidade.
Ao focar em Neemias e na reconstrução, o Papa Leão 14 pode estar expressando um certo pessimismo, exortando à reparação diante de um colapso iminente. Contudo, a mensagem que a humanidade necessita, segundo a análise, é de mobilização para evitar a destruição, com a esperança de que a reconstrução será possível se necessário.
Um Chamado à Esperança e à Responsabilidade Coletiva
Pentecostes e a figura de Jonas apontam para uma direção diferente: a capacidade de nos entendermos sem uma língua única, a aceitação do princípio da responsabilidade e a crença na possibilidade de salvar a “cidade”, mesmo diante de seus “pecadores”. As “muralhas da humanidade” ainda não caíram, e é preciso manter o ânimo.
A encíclica “Magnifica Humanitas” convoca a “engrandecer a humanidade”, mas a omissão de Pentecostes e dos Jonas pode ter deixado em segundo plano a dimensão do diálogo universal e da responsabilidade ativa para prevenir a crise, em vez de apenas remediá-la. É um convite a uma reflexão mais profunda sobre como a IA pode ser uma ferramenta para a união, e não para a divisão.





