CEOs apagam otimismo e temem futuro econômico incerto, apontando IA e conflitos globais como principais vilões
A incerteza econômica que paira no ar parece ter contagiado os escalões mais altos do mundo corporativo. Uma pesquisa recente com 141 CEOs revelou um declínio acentuado na confiança em relação ao panorama econômico, com as expectativas para os próximos seis meses apontando para um cenário ainda mais desafiador.
O Índice de Confiança dos CEOs, divulgado pela organização The Conference Board, despencou de 59 para 47 entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. Este resultado, inferior a 50, sinaliza que as percepções negativas superam as positivas, indicando um sentimento generalizado de apreensão.
As preocupações são multifacetadas, englobando desde os impactos da guerra no Irã e a disrupção energética até a revolução iminente da inteligência artificial, que ameaça remodelar o mercado de trabalho. Conforme informações divulgadas pelo The Conference Board, essa combinação de fatores tem minado a segurança dos líderes empresariais sobre o futuro próximo.
Pessimismo se consolida: CEOs veem economia piorando e esperam mais dificuldades
“Os CEOs relataram que a economia está substancialmente pior agora do que estava há seis meses e esperam que as condições econômicas enfraqueçam ainda mais nos próximos seis meses”, afirmou Dana M. Peterson, economista-chefe do The Conference Board. Essa visão pessimista se estende também aos setores específicos que cada líder comanda, com avaliações sobre as condições atuais e expectativas futuras igualmente em declínio.
O contraste com o trimestre anterior é gritante: enquanto antes apenas 8% dos entrevistados consideravam as condições econômicas gerais piores, agora quase metade dos CEOs compartilham dessa visão. Essa mudança reflete um aumento significativo na percepção de deterioração econômica em um curto espaço de tempo.
Riscos geopolíticos, cibernéticos e a ascensão da IA no radar dos líderes
A pesquisa, realizada em parceria com o The Business Council, destacou que os principais receios dos CEOs orbitam em torno de **riscos cibernéticos, geopolíticos e relacionados à inteligência artificial**. Problemas na cadeia de suprimentos e preocupações com o fornecimento de energia também emergiram como pontos de atenção crescentes.
A instabilidade global no setor de energia, intensificada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, é vista como um fator chave para essas preocupações. Apesar de um cessar-fogo declarado, a falta de um acordo definitivo para encerrar o conflito e reabrir rotas comerciais importantes, como o Estreito de Ormuz, mantém os preços dos combustíveis em alta e agrava os problemas logísticos.
A Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, exemplifica o impacto direto dessas tensões. O CEO Vincent Clerc relatou um custo adicional de US$ 500 milhões por mês devido à guerra, um valor que a empresa tenta absorver, mas que pode se tornar inevitável repassar aos clientes.
Investimentos estáveis, mas cautela com contratações e a revolução da IA
Apesar do clima de incerteza, os investimentos empresariais planejados permaneceram estáveis no segundo trimestre. A maioria dos CEOs não revisou seus planos de gastos de capital, e há até um aumento na parcela daqueles que preveem elevar esses investimentos nos próximos 12 meses, enquanto menos líderes esperam reduzi-los. Roger W. Ferguson Jr., vice-presidente do The Business Council, destacou essa resiliência nos planos de investimento.
No entanto, a cautela se manifesta em outras áreas. Três em cada dez CEOs esperam reduzir o quadro de funcionários, um aumento em relação aos 27% registrados no trimestre anterior. Paralelamente, a inteligência artificial, embora vista por mais da metade dos entrevistados como não transformadora fundamentalmente de seus setores, exige preparação.
Quase um quarto dos CEOs indicou a necessidade de requalificar mais de 50% de seus funcionários nos próximos dois anos, evidenciando um movimento de adaptação às novas tecnologias e à evolução do mercado de trabalho em resposta à ascensão da IA.




