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Copa e Eleições 2026: Mercado Imobiliário Ignora Eventos e Mantém Rota, Mostra Retrospecto Histórico

Copa e Eleições 2026: Mercado Imobiliário Ignora Eventos e Mantém Rota, Mostra Retrospecto Histórico

Anos de Copa do Mundo e eleições presidenciais frequentemente geram dúvidas sobre o momento ideal para comprar ou vender imóveis. A crença popular sugere que o mercado imobiliário desacelera, mas uma análise aprofundada de ciclos anteriores, como 2014, 2018 e 2022, demonstra que essa lógica não se sustenta.

O desempenho do setor imobiliário em anos coincidentes com grandes eventos esportivos e políticos apresentou variações significativas, com períodos de alta, baixa e recuperação. Isso indica que outros fatores, muitas vezes mais determinantes, moldam o comportamento do mercado.

A análise do histórico aponta para a supremacia de variáveis macroeconômicas, como a taxa Selic e a disponibilidade de crédito, sobre a influência direta de eventos como a Copa do Mundo e as eleições presidenciais. Conforme informação divulgada pelo Secovi-SP e outras fontes, o mercado imobiliário em 2026 demonstra resiliência e fundamentos mais sólidos, independentemente do calendário político e esportivo.

Fatores Macroeconômicos Dominam as Decisões de Compra de Imóveis

A taxa de juros, a inflação, a facilidade de acesso ao crédito e os programas habitacionais são os verdadeiros motores do mercado imobiliário. Segundo a advogada Fernanda Henneberg, sócia da área imobiliária do escritório Henneberg Ferreira Marques Advogados, essas questões macroeconômicas são determinantes para o processo decisório de compra de imóveis. A empregabilidade e a disponibilidade de estoque também pesam.

Rodrigo Dulizio Martins, diretor de administração da Imobiliária Rossi, complementa que, embora as eleições possam gerar cautela em compras à vista por investidores, o crédito é o fator preponderante. A mudança de viés governamental pode influenciar, mas o acesso ao financiamento é o que realmente destrava o mercado.

Elizeu Leonel, diretor da Emaximóvel, estima que cerca de 25% dos interessados em imóveis podem adiar decisões em períodos eleitorais, mas ressalta a resiliência do mercado. “Uma boa parte do público não pensa dessa forma, porque o mercado imobiliário é um mercado bastante resiliente”, afirma.

O Papel Crucial dos Programas Habitacionais

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), em suas diversas fases e denominações como Casa Verde e Amarela, tem sido um pilar fundamental para o segmento popular do mercado imobiliário. A injeção de recursos públicos e a continuidade desses programas, independentemente da gestão governamental, garantem a sustentação da demanda.

Relatórios indicam que, apesar de flutuações no volume de subsídios, o programa sempre foi um motor importante. Em 2015, o investimento total em subsídios foi de R$ 29,4 bilhões, enquanto no ciclo 2023-2026, o programa já somou mais de R$ 300 bilhões em investimento público. Essa consistência garante previsibilidade.

Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP, destaca que 2026 se diferencia por um mercado mais preparado. “O mercado vem de um 2025 muito forte, entra em 2026 ainda com demanda elevada e conta com programas habitacionais consolidados e novas fontes de funding”, explica.

Expectativas para o Final de 2026

Apesar de um cenário ainda desafiador devido às taxas de juros elevadas, os fundamentos do mercado imobiliário em 2026 são considerados mais sólidos do que em ciclos anteriores. A demanda habitacional reprimida e a estrutura de funding mais sofisticada reforçam essa perspectiva.

Pesquisas indicam que a maioria dos consumidores pretende manter seus planos de compra e locação, com apenas uma minoria planejando adiar. O adiamento é a opção minoritária, reforçando a resiliência do setor.

A expectativa geral é de um mercado com crescimento, mas sem euforia. A habitação popular deve continuar liderando o desempenho, impulsionada pelo MCMV, enquanto o segmento de alto padrão permanece aquecido. O mercado de médio padrão ainda pode enfrentar desafios com o crédito mais restrito. A queda gradual da Selic e a ampliação do crédito habitacional são os principais vetores de crescimento para o segundo semestre de 2026.

O Crédito Como Principal Definidor do Mercado

A opinião geral entre os especialistas é que o comportamento do crédito será o grande definidor do segundo semestre de 2026, mais do que fatores eleitorais. “O que vai definir o segundo semestre é muito mais o crédito do que fatores menores como o calendário eleitoral”, afirma Gustavo Junqueira, da Imobiliária Junqueira.

Rodrigo Dulizio Martins ressalta que a injeção de dinheiro e o afrouxamento das regras de aprovação de crédito, mesmo que por fins eleitoreiros, beneficiam a população. A inadimplência, preocupação no primeiro semestre, pode melhorar se o crédito continuar fluindo.

Elizeu Leonel observa um ânimo maior dos clientes desde junho, indicando que as pessoas estão mais propensas a comprar agora, sem esperar o próximo ano. “Já estamos vendo quem quer comprar o imóvel logo, não esperando 2027 para decidir”, comenta.

Celso Petrucci reitera que o setor chega a 2026 com fundamentos robustos, demonstrando capacidade de manter lançamentos e vendas em patamares elevados, mesmo em um ambiente de juros altos. Isso reforça a expectativa de continuidade, mesmo durante o período eleitoral, consolidando a ideia de que Copa e eleições não travam o mercado imobiliário.

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