Apagão em Cuba: Energia Retorna Parcialmente a Havana em Meio a Crise Energética Persistente
A capital cubana, Havana, começou a ter parte de seu fornecimento de energia elétrica restabelecido nesta terça-feira (7), após um apagão nacional que afetou toda a ilha. A Empresa Elétrica de Havana informou que mais de 30% dos circuitos de distribuição foram recuperados, beneficiando cerca de 262 mil clientes. Este incidente marca o oitavo apagão desde o fim de 2024 e o terceiro nos últimos seis meses, evidenciando a profunda crise energética que assola o país.
A situação é agravada pela escassez de combustível para as usinas termelétricas, um problema diretamente ligado ao bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos. A falta de insumos dificulta o processo de restabelecimento da energia, conforme admitiu Lázaro Guerra, diretor do setor de eletricidade do Ministério de Minas e Energia, em pronunciamento na TV estatal. O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a política de sanções americanas como um “bloqueio energético genocida”, acusando os EUA de tentarem causar instabilidade social por meio da asfixia econômica.
Conforme informação divulgada pela Empresa Elétrica de Cuba, o restabelecimento da energia ocorre de forma gradual, à medida que as condições técnicas permitem. A complexidade do cenário é acentuada pelo envelhecimento da infraestrutura elétrica cubana e pela interrupção dos envios de petróleo da Venezuela, principal fornecedora da ilha, sob ameaça de sanções americanas. Esses fatores combinados resultam em longos períodos de corte de energia, que podem chegar a 30 horas na capital e a vários dias no interior do país.
Impacto na Vida Cotidiana e na Economia
A falta de energia elétrica tem um impacto devastador na vida dos cubanos. Meybol Font, 51, trabalhadora autônoma, descreve a situação como angustiante, com “três ou quatro horas de eletricidade por dia”, tornando imprevisível o retorno do pouco fornecimento disponível. A incerteza afeta diretamente atividades essenciais, como o trabalho. Um jovem programador, que prefere não se identificar, relatou à AFP a frustração de não conseguir trabalhar devido à falta de wi-fi e eletricidade em Havana Velha.
Infraestrutura Obsoleta e Falhas Constantes
A geração de energia em Cuba depende majoritariamente de sete usinas termelétricas antigas, algumas com mais de 40 anos de operação. Essas instalações são propensas a falhas frequentes e necessitam de paralisações constantes para manutenção. Um exemplo crítico é a usina termelétrica Antonio Guiteras, a principal do país, que está paralisada há dias devido a um defeito. Desde o início do ano, o local já registrou mais de 15 paralisações consecutivas, contribuindo para os cortes e racionamentos que se tornaram rotina, apesar dos esforços em construir parques solares.
Tensões Diplomáticas e Busca por Soluções Internacionais
A crise energética se insere em um contexto de grave crise econômica em Cuba, marcada pela escassez de alimentos, medicamentos e alta inflação. Em resposta à pressão americana, Cuba solicitou uma sessão especial da Assembleia-Geral da ONU para discutir o impacto das sanções. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, acusou Washington de tentar impedir que o órgão internacional se pronuncie sobre os efeitos do bloqueio petroleiro e de outras sanções impostas à ilha, uma medida que, segundo o governo cubano, requer votação dos Estados-membros para abertura de debate.





