ICE Suspende Abordagens de Veículos Após Duas Mortes de Imigrantes em Seis Dias; Protestos Crescem
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) determinou a suspensão da maioria das abordagens de veículos em todo o país. A decisão veio após dois incidentes em que agentes do ICE atiraram e mataram imigrantes durante abordagens de trânsito em menos de uma semana.
Os eventos ocorreram nos estados do Texas e do Maine, levantando sérias questões sobre o uso da força letal e as táticas de fiscalização de imigração. Um terceiro homem também morreu em uma operação do ICE na Flórida, aumentando a preocupação pública e a pressão sobre a agência.
As mortes consecutivas provocaram protestos e reações de autoridades, incluindo o presidente da Colômbia. Conforme informações divulgadas por autoridades norte-americanas, a agência classificou a medida como uma “pausa temporária” para revisão de procedimentos, conforme relatado pela CNN.
Suspensão de Abordagens e Revisão de Táticas
A decisão de suspender as abordagens de veículos foi anunciada após a morte de Joan Sebastián Durán Guerrero, um imigrante colombiano de 26 anos, no Maine. Este incidente ocorreu menos de uma semana depois que Lorenzo Salgado, um cidadão mexicano, foi morto a tiros pelo ICE em Houston, Texas.
Autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS) reconheceram que, em ambos os casos, os homens mortos não eram o alvo pretendido das operações de deportação. A falta de imagens de vídeo e evidências que justifiquem o uso de força letal tem sido um ponto central de crítica.
Tom Homan, descrito como o “czar da fronteira” do governo Trump, chamou a medida de “pausa temporária”, afirmando que se trata de uma “revisão de curto prazo para garantir que os agentes do ICE estejam seguros e agindo da maneira correta”. Ele ressaltou que existem outras opções para realizar prisões, e que as operações e deportações continuam em “números recordes”.
Contexto das Mortes e Críticas à Política de Imigração
A morte de Guerrero no Maine gerou manifestações, com o presidente colombiano Gustavo Petro criticando a ação e afirmando que o imigrante “foi morto porque era considerado um ser inferior, sem direitos”. Guerrero, que morava nos EUA há algum tempo, trabalhava em dois empregos e tinha uma companheira e uma filha pequena.
No caso de Salgado, o ICE alegou que ele tentou atropelar um policial em Houston, mas não apresentou evidências para corroborar a versão. A política do ICE permite o uso de força letal apenas em casos de “perigo iminente de lesão corporal grave ou morte”, e não para impedir a fuga de um suspeito.
Desde o início de 2025, quando Trump retornou ao cargo e intensificou a campanha de deportações, pelo menos seis pessoas foram mortas a tiros e 22 foram baleadas durante operações de fiscalização de imigração. As prisões do ICE no Maine, em particular, mais que quadruplicaram em junho.
Investigações e Repercussão Internacional
A procuradoria-geral do Maine está investigando o caso de Guerrero em colaboração com outras autoridades. O senador americano Angus King informou que os agentes envolvidos no incidente do Maine não estavam usando câmeras corporais, o que dificulta a apuração dos fatos.
O DHS confirmou que os agentes estavam monitorando o endereço de alguém com ordem de deportação e seguiram um veículo saindo da residência. O motorista desse veículo, que foi morto, não era o alvo da operação, segundo o secretário do departamento. A repercussão internacional, como a declaração do presidente colombiano, demonstra a gravidade da situação e a preocupação com os direitos dos imigrantes.
Apesar da suspensão das abordagens de veículos, o DHS afirma que as operações de prisão e deportação continuam em ritmo acelerado, com números recordes sendo registrados. A situação reflete um momento de alta tensão nas políticas de imigração dos Estados Unidos.





