EUA Ignoram Pedido do Brasil e Deixam Bachelet Sem Reunião Crucial para Sua Candidatura à ONU
A busca pela liderança da Organização das Nações Unidas (ONU) ganhou um novo capítulo com a revelação de que os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, não responderam a um pedido formal do Brasil para uma reunião com Michelle Bachelet. A ex-presidente do Chile é uma das candidatas à sucessão de António Guterres no cargo de Secretário-Geral da ONU.
A negativa, ou a ausência de resposta, por parte do governo americano representa um obstáculo significativo para a campanha de Bachelet, que conta com o patrocínio do Brasil e do México. A disputa pelo posto máximo da ONU envolve outros sete concorrentes, e a opinião dos membros permanentes do Conselho de Segurança, como os EUA, é de peso decisivo.
Fontes ligadas à candidatura de Bachelet indicam que a chilena já visitou oficialmente 12 dos 15 países-membros do Conselho de Segurança, órgão fundamental na escolha do novo Secretário-Geral. No entanto, a ausência de um encontro com representantes dos EUA levanta questões sobre o apoio americano à sua candidatura. A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo.
Visitas Estratégicas e Omissão Americana
Michelle Bachelet tem percorrido o mundo buscando apoio para sua candidatura. Ela já esteve em contato com líderes de 12 países membros do Conselho de Segurança da ONU. Países como Dinamarca e República Democrática do Congo, embora não tenham resultado em reuniões presenciais diretas, tiveram seus contatos diplomáticos realizados, seja por telefone ou em encontros em Nova York, contornando restrições como a epidemia de ebola.
Contudo, os Estados Unidos se destacam pela ausência de resposta. Apesar de Bachelet ter visitado o país em outras ocasiões neste ano para agendas relacionadas à ONU, o pedido brasileiro para um encontro com uma figura de alto escalão do governo Trump, como o Secretário de Estado, não obteve retorno. A ausência de uma resposta oficial americana é vista como um sinal de desinteresse ou mesmo de oposição.
Posicionamento dos EUA e Críticas à ONU
Um porta-voz do Departamento de Estado americano, falando sob condição de anonimato, declarou que o órgão não comenta discussões diplomáticas privadas. Contudo, o porta-voz ressaltou que os candidatos à Secretaria-Geral da ONU precisam se comprometer com as mudanças exigidas pelos EUA.
“Qualquer novo secretário-geral deve fazer a ONU retornar ao seu propósito primordial de manter a paz e a segurança no mundo, em vez de seguir a ideologia absurda, politizada e progressista que tem prejudicado a eficácia da instituição”, afirmou o porta-voz, indicando a visão americana sobre o rumo atual da organização.
A Campanha de Bachelet e Outras Candidatas
A candidatura de Michelle Bachelet foi oficializada em fevereiro, com o apoio inicial do Brasil, México e Chile. Ex-presidente do Chile por dois mandatos, ela possui vasta experiência na ONU, tendo liderado a entidade Mulheres e atuado como Alta Comissária de Direitos Humanos.
Brasil e México defendem a importância de uma candidata latino-americana e mulher para o posto, destacando que o último representante da América Latina foi Javier Pérez de Cuéllar, do Peru, entre 1982 e 1991, e que a ONU nunca foi liderada por uma mulher desde sua fundação em 1946.
Outras candidatas com perfis semelhantes disputam a vaga. Rebeca Grynspan, da Costa Rica, liderou a primeira pesquisa secreta do Conselho de Segurança, seguida por Carolyn Rodrigues Birkett, da Guiana. María Fernanda Espinosa Garcés, do Equador, e Virginia Gamba, da Argentina, também estão na disputa.
A pesquisa secreta inicial mostrou Grynspan com dez votos de incentivo, dez neutros e um de desencorajamento. Birkett obteve nove incentivos, quatro neutros e dois desencorajamentos. Rafael Grossi, da Argentina, ficou com sete incentivos. Bachelet, por sua vez, recebeu seis votos de incentivo, cinco de desencorajamento e quatro neutros, indicando um cenário competitivo e incerto para a escolha final.





