Adiamento das negociações entre EUA e Irã gera incerteza para o tráfego no Estreito de Hormuz, corredor estratégico para o petróleo global.
Empresas de transporte marítimo esperavam a sexta-feira, 19, como um marco para a retomada do tráfego no Estreito de Hormuz, por onde escoa 20% da produção mundial de petróleo e gás. Contudo, a desistência do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, em viajar à Suíça para negociações de paz com o Irã, reacendeu dúvidas sobre o retorno seguro das embarcações.
A logística das negociações, descrita como complexa e imprevisível por um porta-voz da Casa Branca, sofreu um revés com o adiamento da reunião em um resort suíço. O Irã condicionava sua participação a sinais concretos da implementação do acordo provisório, o que adiciona uma camada de cautela ao cenário.
Enquanto as conversas não avançam, o órgão iraniano responsável pelo Estreito de Hormuz anunciou a isenção de taxas para o uso durante um período de 60 dias, coincidindo com as negociações. No entanto, a exigência de pedidos de trânsito com 48 horas de antecedência e a coordenação de rotas e horários permanecem, visando garantir a segurança em áreas potencialmente afetadas por minas. Conforme informação divulgada pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, do Irã, a isenção abrange taxas de segurança, proteção, serviços ambientais e seguros.
Aumento tímido no tráfego, mas ainda longe do normal
Apesar do adiamento, dados da quinta-feira, 18, indicaram um aumento no número de navios comerciais cruzando o Estreito de Hormuz. Segundo as empresas de dados de navegação Kpler e AXSMarine, 25 embarcações realizaram o trajeto, o maior volume desde 18 de abril e cinco vezes a média diária registrada nos primeiros dez dias de junho. Contudo, este número ainda é significativamente inferior à média de 145 navios diários anterior ao início do conflito em 28 de fevereiro.
Bloqueio de petroleiros e preocupações com segurança persistem
A Organização Marítima Internacional (OMI) estima que cerca de 500 navios-petroleiro permanecem bloqueados no Golfo Pérsico, aguardando a liberação do Estreito de Hormuz. Empresas como Mitsui OSK Lines e Hapag-Lloyd comunicaram que a retomada das operações depende do estabelecimento de condições de segurança concretas. Jotaro Tamura, presidente-executivo da Mitsui OSK Lines, enfatizou que um acordo entre os países envolvidos precisa se traduzir em situações reais de segurança no estreito para que as empresas se sintam confortáveis em atravessar.
Oscilação nos preços do petróleo e desafios adicionais
O adiamento das negociações impactou diretamente os mercados de petróleo. O preço do barril Brent, referência mundial, apresentou oscilações nesta sexta-feira. Começou em queda, mas posteriormente subiu, refletindo a incerteza gerada pelo impasse diplomático. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos EUA, também registrou queda.
Além das preocupações com a segurança e a navegação em áreas com minas, as empresas de transporte marítimo enfrentam um problema adicional: o acúmulo de cracas e criaturas marinhas nos cascos dos navios durante os meses de espera. Essa situação, conforme reportado pelo jornal New York Times, pode reduzir a velocidade das embarcações e até mesmo impedir seu tráfego, adicionando mais um obstáculo à normalização das operações no Estreito de Hormuz.





