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China Acena à Direita Latino-Americana, Incluindo Brasil, às Vésperas do Segundo Turno

China busca manter relações amistosas na América Latina, mesmo com ascensão de governos de direita, incluindo o Brasil.

Em um movimento estratégico, a China sinalizou sua disposição em estreitar laços com países latino-americanos, independentemente de suas orientações políticas. O encarregado especial chinês para a região, Qiu Xiaoqi, afirmou que Pequim desenvolverá relações amistosas com todas as nações, mesmo aquelas governadas por direitas e com proximidade aos Estados Unidos.

A declaração ocorre em um momento crucial para o Brasil, com o candidato Flávio Bolsonaro liderando pesquisas para o segundo turno presidencial. Apesar do contexto, a autoridade chinesa não mencionou nomes específicos de líderes ou candidatos, conforme noticiado pelo jornal estatal Global Times.

“A China tem aderido consistentemente ao princípio da não interferência em assuntos internos e respeita as escolhas feitas pelos povos dos países latino-americanos”, declarou Qiu durante um evento sobre as relações sino-latino-americanas. Conforme a fonte, Pequim está aberto a intercâmbios com todos os países da América Latina e Caribe, sem impor barreiras ideológicas, com a única ressalva sendo o reconhecimento do princípio de “Uma Só China”.

O Princípio de “Uma Só China” como Linha Vermelha

O reconhecimento do princípio de “Uma Só China” é um ponto inegociável para Pequim nas relações diplomáticas. Este princípio estabelece que Taiwan é parte integrante do território chinês, uma alegação que a ilha, com seu próprio governo democraticamente eleito, contesta. Países que reconhecem a soberania taiwanesa não mantêm relações diplomáticas formais com a China continental.

Um exemplo notório é o Paraguai, o único país sul-americano que reconhece Taiwan. Recentemente, o presidente paraguaio Santiago Peña visitou Taipé, o que gerou forte protesto do Ministério das Relações Exteriores da China. O porta-voz chinês, Guo Jiakun, condenou a ação, acusando políticos paraguaios de se tornarem “peões das forças separatistas pró-independência de Taiwan”.

Em resposta a essa postura, Pequim impôs sanções ao ministro da Informação e Comunicação paraguaio, Gustavo Villate, congelando seus bens na China e proibindo sua entrada no país, em Hong Kong e em Macau. O Brasil, por outro lado, já reconhece o princípio de “Uma Só China”, considerado uma “linha vermelha” por Pequim.

Brasil: Pragmatismo em Foco diante de Possível Mudança de Governo

O futuro da relação entre Brasil e China tem sido alvo de especulações, especialmente com a ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e seu alinhamento com Donald Trump, figura central em disputas comerciais e tecnológicas com a China. Bolsonaro tem defendido uma postura pragmática em relação à China, contrastando com críticas ao governo atual e seu alinhamento com Pequim.

Fontes indicam que Pequim está preparada para avançar na agenda bilateral com o Brasil, independentemente do resultado eleitoral. Em resposta a questionamentos sobre a possível eleição de Bolsonaro, a chancelaria chinesa afirmou que “a China está disposta a trabalhar com o lado brasileiro para que as relações avancem de forma estável e duradoura”.

Histórico de Cooperação e Desejo de Estabilidade

A China destacou a longevidade e a boa dinâmica de desenvolvimento das relações sino-brasileiras ao longo dos 52 anos desde o estabelecimento de laços diplomáticos. “A amizade sino-brasileira se tornou um amplo consenso entre todos os setores dos dois países, e a cooperação bilateral beneficia de forma concreta os povos de ambos”, declarou a chancelaria em nota.

Anteriormente, o porta-voz Guo Jiakun já havia reforçado o compromisso chinês com a “não interferência nos assuntos internos de outros países” e expressou o desejo por “eleições tranquilas e sem incidentes” no Brasil, em resposta a perguntas sobre pressões americanas. A última pesquisa Datafolha, divulgada após o primeiro turno, aponta Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Luiz Inácio Lula da Silva.

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