ONU em impasse: Vetos de potências mundiais complicam sucessão de António Guterres e geram incerteza global
A corrida para definir o próximo Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) encontra um cenário de **profundo impasse**, conforme revelado pelas recentes votações secretas no Conselho de Segurança. Todos os candidatos que disputam a posição enfrentam vetos de pelo menos dois dos cinco membros permanentes do Conselho, um obstáculo significativo que dificulta a escolha e adia a definição de quem sucederá o português António Guterres no final deste ano.
O processo de seleção, conhecido como “straw polls”, envolve votações secretas entre os 15 membros do Conselho de Segurança. A particularidade desta rodada foi o uso de cédulas de cores distintas para os membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), evidenciando a importância de seus votos e o poder de veto que possuem. Nenhum candidato pode ser eleito sem o aval de todos os cinco, conhecidos como P5.
A situação atual levanta sérias questões sobre a capacidade da ONU de garantir uma transição de liderança tranquila e em tempo hábil. Sem um sucessor definido, a organização corre o risco de iniciar o próximo mandato sem uma liderança consolidada, o que pode impactar sua atuação e influência em um cenário global cada vez mais complexo. A informação sobre o impasse foi divulgada nesta sexta-feira (16).
Rebeca Grynspan lidera, mas enfrenta vetos cruciais
A economista costarriquenha Rebeca Grynspan, atual diretora da agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, desponta como a candidata mais bem colocada. Em sua última votação, obteve nove apoios, mas também cinco “desencorajamentos”, que na prática funcionam como vetos. Destes, dois partiram de membros permanentes do Conselho de Segurança. Grynspan, se eleita, seria a primeira mulher, a primeira centro-americana e a primeira judia a chefiar a organização.
Apesar de seu histórico e de seu foco em uma gestão mais enxuta e eficiente da ONU, Grynspan enfrenta desafios geopolíticos. Relatos da imprensa americana indicam que os Estados Unidos não a apoiariam, possivelmente devido a relatórios críticos de sua agência sobre a ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia. A relação de Grynspan com a política de redução de custos da ONU, no entanto, tem sido sinalizada como um ponto positivo para os EUA.
Outros candidatos e a dinâmica do Conselho de Segurança
Além de Grynspan, outros nomes surgiram com apoio relevante, mas também com vetos. A representante da Guiana na ONU, Carolyn Rodrigues Birkett, recebeu oito apoios, sendo três de membros permanentes, e seis não apoios, dois deles do P5. O argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, também obteve oito apoios, com dois vetos de membros permanentes, e seis não apoios, igualmente com dois vetos do P5. Grossi tem sido publicamente criticado pela Rússia.
A dinâmica de vetos demonstra a complexidade das negociações entre os membros permanentes do Conselho de Segurança. A possibilidade de um novo nome surgir com apoio pré-costurado entre o P5 não está descartada, assim como a retirada de vetos existentes. A história da ONU já registrou situações semelhantes, como a eleição de Kofi Annan, que só foi possível após a França retirar seu veto.
O caminho para a sucessão e os desafios futuros
A eleição do Secretário-Geral é um processo crucial que, idealmente, ocorre com antecedência para permitir uma transição ordenada. O mandato do atual Secretário-Geral, António Guterres, termina no final do ano, e a falta de um consenso claro sobre seu sucessor cria um cenário de incerteza. Os membros rotativos do Conselho de Segurança nesta legislatura incluem Bahrein, Colômbia, República Democrática do Congo, Dinamarca, Grécia, Letônia, Libéria, Paquistão, Panamá e Somália.
A indefinição na escolha do novo Secretário-Geral da ONU reflete as tensões geopolíticas atuais e a dificuldade de conciliar os interesses das grandes potências. A expectativa é que as negociações continuem intensas nas próximas semanas, na tentativa de superar os impasses e garantir uma liderança forte para a organização nos próximos anos.





