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Irã desafia sanções globais: Como a China e a diversificação mantêm o país à tona há décadas

Irã dribla sanções: A resiliência econômica iraniana em meio a décadas de restrições internacionais.

Por quase 50 anos, o Irã tem enfrentado um regime rigoroso de sanções impostas por potências globais. Acusações que vão desde seu programa nuclear até o apoio ao terrorismo e abusos de direitos humanos colocaram o país em uma posição de isolamento comercial.

Apesar dos esforços contínuos dos Estados Unidos, União Europeia e ONU para sufocar sua economia, o Irã conseguiu manter relações comerciais com uma vasta maioria de países. Uma análise detalhada do The New York Times revela como essa resiliência econômica foi construída.

O país, que possui uma população de 94 milhões de habitantes, demonstrou uma impressionante capacidade de adaptação. Essa habilidade em se ajustar sob pressão pode oferecer pistas sobre seu futuro econômico, mesmo diante de conflitos regionais e ameaças de ataques mais devastadores.

China: O Principal Pilar do Comércio Iraniano

A China emergiu como o principal parceiro comercial do Irã, respondendo por uma parcela crescente de suas importações e exportações nas últimas duas décadas. Durante a pandemia, Pequim comprometeu-se a investir US$ 400 bilhões no Irã em troca de um fornecimento estável de petróleo.

Em 2024, a China adquiriu 90% das exportações de petróleo iraniano, segundo a Agência Internacional de Energia. Além disso, respondeu por cerca de um quarto das exportações não petrolíferas do Irã entre 2019 e 2024, comprando bilhões de dólares em produtos químicos e metais.

As transações são realizadas em renminbi, a moeda chinesa, evitando o uso do dólar e a necessidade de envolver bancos americanos, que são cruciais na aplicação das sanções. Em contrapartida, a China fornece quase 30% das commodities importadas pelo Irã, desde móveis até sementes de girassol.

Diversificação e Comércio Paralelo: Estratégias Contra o Isolamento

Ao longo dos anos, o Irã tem trabalhado para diversificar sua economia. Há vinte anos, o petróleo representava quase 80% das exportações do país, mas essa participação diminuiu significativamente à medida que outros setores ganharam força. Essa mudança se acelerou a partir de 2012, quando os EUA impuseram novas sanções.

As sanções, que visavam principalmente o comércio de petróleo, levaram o Irã a desenvolver o comércio em outras áreas e com novos parceiros. Entre 2019 e 2024, o Irã exportou mais de US$ 120 bilhões em commodities não petrolíferas, um valor comparável às exportações de países como Costa Rica ou Equador.

Além do comércio oficial, um complexo sistema de escambo e canais de financiamento secretos permite que o Irã contorne as restrições. Esse comércio paralelo envolve empresas de fachada e intermediários para ocultar a identidade dos compradores e o envolvimento iraniano, muitas vezes desviando rotas por outros países.

Novos Mercados e Autossuficiência como Resposta

O Irã se beneficia de sua localização geográfica estratégica, com fronteiras terrestres com sete países e acesso a corredores comerciais marítimos. Turquia e Iraque são clientes importantes de produtos iranianos, respondendo, juntamente com a China, por mais da metade das exportações não petrolíferas do país desde 2019.

Outros mercados incluem o Kuwait, um grande comprador de cimento e ovelhas, e países da Ásia Central que importam material de embalagem. A Espanha, por exemplo, importa a maior parte de seu açafrão do Irã.

Em resposta às dificuldades de importação de insumos essenciais como máquinas e peças, o Irã investiu na produção interna. O país desenvolveu um robusto setor industrial que fabrica automóveis, aço, ferro, eletrônicos e produtos farmacêuticos, além de um forte setor alimentício, buscando a autossuficiência.

Mudança no Perfil de Importação e Novos Fornecedores

Países europeus, que antes representavam mais da metade das importações iranianas em meados da década de 1990, hoje respondem por menos de 20%. Essa mudança reflete o impacto das sanções e a busca por novos fornecedores.

Atualmente, os Emirados Árabes Unidos fornecem eletrônicos ao Irã, a Índia envia grandes quantidades de arroz, e o Brasil exporta soja e milho. Essa reconfiguração do comércio demonstra a capacidade de adaptação iraniana para garantir o abastecimento de bens essenciais e matérias-primas.

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