Laura Cardoso, ícone da dramaturgia brasileira, também se destacou como dubladora da icônica Betty Flintstones
A notícia do falecimento de Laura Cardoso, aos 98 anos, nesta segunda-feira (17), abalou o Brasil. A atriz, que nos presenteou com mais de sete décadas de atuações memoráveis na televisão, teatro e cinema, deixa um legado artístico inestimável. No entanto, uma faceta menos conhecida de sua brilhante carreira revela sua participação no mundo da dublagem, onde deu vida à querida Betty Rubble, a esposa de Barney no clássico desenho animado ‘Os Flintstones’, na década de 1960.
Em sua jornada multifacetada, Laura Cardoso não se limitou aos grandes papéis dramáticos que a consagraram. Sua versatilidade a levou a explorar o universo da dublagem, um campo que exigia sensibilidade e precisão para dar vida a personagens animados. Sua interpretação de Betty Rubble, por exemplo, marcou uma geração de espectadores que acompanhavam as aventuras da família Flintstones.
A própria atriz relembrou com carinho essa experiência. Em 2020, durante uma participação no programa “Conversa com Bial”, Laura Cardoso compartilhou sua paixão pelo trabalho de dublagem, afirmando: “Eu amava fazer a Betty. Era muito bom de se fazer, a dublagem teve um tempo maravilhoso, um tempo de acerto, de fazer texto e imagem muito bem feita”. Essas palavras ressaltam a dedicação e o prazer que ela encontrava em cada um de seus projetos, independentemente do formato.
Trajetória de uma gigante das artes brasileiras
Nascida Laurinda de Jesus Balleroni em 1927, Laura Cardoso iniciou sua carreira artística aos 15 anos, estreando na televisão em 1952, com a novela “Tribunal do Coração”, da TV Tupi. Ao longo de sua extensa trajetória, atuou em mais de 60 novelas, consolidando-se como uma das atrizes com maior número de trabalhos no país. Sua última aparição na TV foi na novela “A Dona do Pedaço”, em 2019, e no cinema, no filme “Dona Rosinha”, com previsão de lançamento em 2025.
Papéis icônicos que marcaram gerações
A chegada de Laura Cardoso à TV Globo em 1981, com a novela “Brilhante”, marcou o início de uma nova fase em sua carreira. Em 1993, ela interpretou um de seus papéis mais emblemáticos, Dona Isaura, a mãe das gêmeas Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia”. No ano seguinte, deu vida à inesquecível Dona Guiomar em “A Viagem”, personagem que permanece vivo na memória do público.
Homenagens de colegas e amigos
A notícia do falecimento de Laura Cardoso gerou uma onda de comoção e homenagens de colegas de profissão. O ator e diretor Miguel Falabella, amigo de longa data, expressou seu carinho em uma publicação no Instagram: “Eu a conheci na virada dos anos 80 e, desde então, tive com ela uma amizade linda, divertida e respeitosa”. Falabella destacou o talento e a energia de Laura, definindo-a como “gigante” e alguém cujo “talento não cabia em seu corpo pequeno”.
Tony Ramos, emocionado, lamentou a perda em entrevista à GloboNews, chamando Laura Cardoso de “a rainha da televisão”. A atriz Fabiana Karla também prestou sua homenagem, expressando a dificuldade em aceitar a despedida: “Não estava preparada para uma despedida assim”.
Vida pessoal e reconhecimento
Laura Cardoso foi casada com o ator e diretor Fernando Balleroni, com quem teve três filhos. Viúva aos 58 anos, ela dedicou sua vida à arte, colecionando ao longo das décadas indicações e prêmios. Entre eles, destacam-se cinco troféus da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), o prêmio Oscarito do Festival de Gramado e a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, em reconhecimento à sua grandiosa contribuição para a cultura brasileira.




