Havan projeta expansão ambiciosa apesar dos desafios tributários e burocráticos
O empresário Luciano Hang, fundador da Havan, lidera um plano de expansão audacioso para a rede de lojas, com o objetivo de alcançar a marca de 200 unidades em todo o Brasil até o final de 2026. A empresa, que teve início em Brusque, Santa Catarina, projeta um faturamento expressivo de R$ 22 bilhões para o ano corrente.
Este crescimento expressivo ocorre em um cenário repleto de desafios. A Havan se prepara para desembolsar aproximadamente R$ 6 bilhões em impostos ainda em 2023, um valor que supera o lucro líquido estimado para o mesmo período. A jornada de Hang, de filho de operários a um dos maiores nomes do varejo nacional, é marcada pela persistência.
A Havan, que hoje conta com 196 lojas e emprega cerca de 22 mil pessoas, mantém sua essência catarinense. A rede enfrenta, contudo, a alta carga tributária e a complexa burocracia estatal, que impactam diretamente a operação e o ritmo de crescimento. Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, a empresa busca superar esses obstáculos com uma estratégia focada em diversificação e expansão geográfica.
A trajetória de Luciano Hang e a fundação da Havan
Luciano Hang demonstrou seu espírito empreendedor desde a infância, vendendo bolachas na escola. Após experiências em fábricas de tecidos, ele fundou a Havan em 1986, em uma pequena sala de 45 metros quadrados em Brusque. Inicialmente focada em tecidos importados, a loja evoluiu e, em 1995, inaugurou sua primeira filial em Curitiba, com a icônica fachada inspirada na Casa Branca, símbolo que se tornaria marca registrada da rede.
O peso dos impostos no faturamento da Havan
A carga tributária é apontada pela Havan como o **maior custo operacional**, superando gastos com fornecedores e o próprio lucro líquido. Para 2023, a previsão é de que a empresa recolha cerca de R$ 6 bilhões em tributos, o que representa aproximadamente 30% do faturamento total. Luciano Hang critica a **assimetria tributária**, especialmente a isenção de impostos para compras internacionais de até US$ 50, que gera uma concorrência desigual.
O Imposto sobre Valor Agregado (IVA) brasileiro é estimado entre 26,5% e 28%, um dos mais altos do mundo, bem acima da média de países desenvolvidos da OCDE. Essa alta carga tributária é um dos principais entraves para o planejamento e expansão de negócios no país, exigindo das empresas estratégias robustas para manter a rentabilidade.
Burocracia estatal: um obstáculo crônico para a expansão
A burocracia estatal é frequentemente descrita como um **obstáculo crônico que retarda o crescimento econômico** no Brasil. Hang relata casos em que a obtenção de alvarás para novas lojas levou até 22 anos. Projetos em cidades como Matinhos e Joinville enfrentam impasses com órgãos ambientais e promotores públicos, evidenciando a lentidão dos processos.
Um exemplo notório é a cidade de São Paulo, o maior mercado consumidor do país, onde a Havan ainda não possui nenhuma loja devido às dificuldades de licenciamento. Para o empresário, o problema central não é o investimento financeiro, mas a **demora dos processos públicos**, que afeta a capacidade de resposta e de expansão das empresas.
Estratégia da Havan: crescimento em meio a fechamentos no varejo
Enquanto grandes concorrentes do varejo enfrentam recuperações judiciais e fecham centenas de unidades, a Havan investe R$ 1,2 bilhão para abrir 15 novas megalojas somente este ano. A estratégia da empresa se baseia na **manutenção de margens de lucro acima da média do setor**, impulsionada por um mix diversificado de produtos e pelo modelo de lojas físicas de grande porte.
O plano de expansão da Havan prioriza cidades médias e regionais, com foco especial nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Luciano Hang descarta, por ora, a abertura de lojas no exterior, concentrando esforços em





